Está aqui

NPL: Porque é importante os bancos reduzirem o montante de créditos não produtivos

Uma das principais funções dos bancos é conceder crédito para que os cidadãos e as empresas possam concretizar os seus projetos, seja comprar uma casa ou construir uma fábrica. A instituição de crédito mobiliza fundos, fundamentalmente através da captação de depósitos e da emissão de dívida, e canaliza-os para o financiamento da economia.

A concessão de crédito é, assim, uma das principais fontes de receita dos bancos, associada aos juros cobrados pelos empréstimos e às comissões relacionadas com este serviço. No entanto, esta atividade tem riscos, já que não é possível garantir que todos os clientes reembolsam os seus créditos no prazo definido.

Quando um cliente bancário deixa de pagar as prestações de um empréstimo, o banco classifica esse crédito como crédito não produtivo (em inglês, non-performing loan ou NPL). 

 

Porque os NPL são um problema para os bancos

Os créditos não produtivos representam um problema para os bancos por diversas razões. Por um lado, a instituição que concedeu o empréstimo pode perder parte ou a totalidade dos fundos que emprestou e deixa de ter o ganho esperado com a cobrança de juros e comissões. 

As perdas, geradas ou esperadas, associadas a um NPL têm de ser reconhecidas nas contas da instituição, através do registo de imparidades. Este esforço penaliza os resultados dos bancos e, consequentemente, os rácios de capital. 

Por outro lado, os requisitos de capital tendem a ser superiores em instituições com elevado nível de NPL. 

Por fim, e para além dos recursos que os bancos têm que afetar ao tratamento destes ativos – desviando-os das atividades centrais –, os bancos com elevados níveis de NPL poderão ter mais dificuldade em aceder aos mercados financeiros para emissão de dívida e capital. 

 

Bancos portugueses focados na redução dos NPL

Nos últimos anos, os bancos portugueses têm estado focados na redução dos créditos não produtivos, que chegaram a ter um peso de quase 18% do crédito total, em junho de 2016. Desde esse pico, os NPL do setor bancário nacional têm seguido uma trajetória descendente, tendo já diminuído cerca de 35%, sendo necessário que esta tendência decrescente continue. 

Esta diminuição tem sido conseguida:

  1. através de processos de recuperação deste tipo de ativos, que entretanto – e beneficiando também da fase positiva do ciclo económico – deixam de ser “non performing”, 
  2. através do abate de empréstimos ao ativo das instituições e 
  3. através da venda de carteiras de NPL.

De notar que a decisão de cada banco relativamente ao ritmo de redução de NPL tem em conta o impacto negativo que a venda de carteiras de NPL pode ter sobre o seu capital. 

 

Supervisão dá prioridade à redução dos NPL

Pelas razões já apontadas, a redução dos NPL é uma das prioridades das autoridades nacionais e europeias, existindo várias iniciativas em curso. 

No âmbito da supervisão, foram emitidas orientações a nível do Mecanismo Único de Supervisão sobre o registo de imparidades para os créditos que venham a tornar-se não produtivos a partir de 1 de abril de 2018, existindo também iniciativas para lidar com o stock destes ativos. De entre estas últimas, destacam-se os planos de redução de NPL que foram exigidos aos bancos com rácio de NPL superior, planos esses que se pretendem ambiciosos, mas realistas, e que vão sendo atualizados em função do caminho feito por cada instituição. 

Outras iniciativas, a nível nacional e europeu, têm vindo a ser implementadas, com o objetivo de: 

  1. facilitar a transação de NPL em mercado, 
  2. atuar de forma preventiva sobre a própria concessão de crédito e sobre a gestão “precoce” dos primeiros sinais de alerta relativos a esses créditos, de forma a mitigar o surgimento de NPL no futuro, e
  3. melhorar o enquadramento legal e judicial, que é central em processos de recuperação destes créditos. 

 

Tags