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Microdados. Há mais na realidade para além dos grandes números

Microdados - há mais na realidade para além dos grandes números

O Banco de Portugal, enquanto autoridade estatística nacional, trabalha em permanência para melhorar a qualidade da informação que produz sobre a economia portuguesa.

O mundo é cada vez mais complexo e essa complexidade não pode ser captada apenas através da análise de dados agregados. 

A recente crise financeira internacional mostrou que os grandes números não bastam para compreender a realidade e, como tal, é preciso olhar para os dados mais elementares, para os agentes económicos e para as suas interações, entidade a entidade, operação a operação. Importa cada vez mais olhar para os dados e conhecer a sua distribuição, isto é, não apenas os valores “médios”, mas também os “mais” e os “menos”.

O Banco de Portugal tem investido desde há vários anos no desenvolvimento de bases de microdados, ou seja, bases de dados com informação granular (entidade a entidade, transação a transação) sobre a atividade económica em Portugal, abrangendo vários domínios estatísticos, o que tem permitido também garantir a qualidade da informação estatística produzida.

 

O que são microdados?

Os microdados são informação elementar ao menor nível de desagregação sobre as operações e as caraterísticas dos agentes económicos (indivíduos, famílias, empresas ou outro tipo de entidades), recolhida por um censo, um inquérito ou por um outro método. Dito de um modo mais simples, são dados estatísticos individuais sobre pessoas singulares e coletivas.

Os microdados correspondem, portanto, ao nível mais elementar de desagregação da informação estatística.

 

Porque é que os microdados são importantes?

Os microdados são importantes porque, sendo informação elementar (não agregada), podem ser utilizados para várias finalidades. Por exemplo, quando falamos das estatísticas do crédito com base na Central de Responsabilidades de Crédito, podemos saber não só o valor total do crédito, mas também o valor do crédito por escalão de endividamento ou localização geográfica das empresas e das famílias.

Adicionalmente, permitem responder a novas necessidades de informação sem ter de se voltar a contactar as entidades reportantes.

 

Que microdados o Banco de Portugal utiliza?

O Banco de Portugal gere várias bases de microdados com informação desagregada sobre a economia portuguesa: sobre crédito, sobre títulos, sobre a situação económica e financeira das empresas portuguesas, sobre as transações das empresas com não residentes e informação sobre as entidades supervisionadas pelo Banco de Portugal. Por devedor, por investidor, por empresa. Transação a transação.

A exploração integrada destas bases de microdados tem permitido ao Banco de Portugal melhorar a qualidade da informação com que trabalha para dar cumprimento à sua missão de manter os preços estáveis e de salvaguardar a estabilidade do sistema financeiro e, simultaneamente, diminuir os custos suportados pelas entidades que reportam a informação.

 

Consulte o paper "How to increase quality in the Central Banks statistical business process? The experience of Banco de Portugal" para saber mais sobre a utilização de microdados para garantir a qualidade das estatísticas no Banco de Portugal.

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