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Economia numa imagem

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A maior incidência de congelamentos salariais em Portugal é contemporânea com taxas de desemprego mais elevadas

17.07.2020

Economia numa imagem: A maior incidência de congelamentos salariais em Portugal é contemporânea com taxas de desemprego mais elevadas

O aumento da incidência de congelamentos salariais, em particular num contexto de recessão económica e baixa inflação, é um indicador credível de rigidez salarial à baixa dos salários nominais. Este fenómeno foi especialmente marcado em Portugal durante a última crise económica em que, perante a aversão (e impossibilidade legal) de reduzir os salários, uma parte significativa das empresas optou por congelar os salários base dos seus trabalhadores. A percentagem de trabalhadores com salários base congelados atingiu cerca de 75% em 2012 e 2013, indiciando a existência de um grau substancial de rigidez à baixa dos salários nominais no mercado de trabalho português.

 

A rigidez nominal dos salários poderia não ter impactos reais na economia se as empresas pudessem ajustar as variações salariais futuras de modo a compensar o aumento dos custos reais do trabalho. A evidência mostra que este não terá sido o caso em Portugal. Entre 2004 e 2017, a evolução da incidência de congelamentos salariais e da taxa de desemprego exibem uma correlação muito acentuada, sugerindo a hipótese keynesiana de que a rigidez à baixa dos salários pode ter alimentado um aumento do desemprego.

 

 

Para mais detalhes, ver Pedro Portugal e Fernando Martins (2019) “De que forma a rigidez à baixa dos salários afetou o desemprego durante a crise económica?” em O Crescimento Económico Português: Uma Visão Sobre Questões Estruturais, Bloqueios e Reformas, Banco de Portugal.

 

Preparado por Fernando Martins e Pedro Portugal. As análises, opiniões e resultados expressos neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem necessariamente com os do Banco de Portugal ou do Eurosistema.

 

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