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Economia numa imagem

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Os choques específicos sobre as maiores empresas portuguesas explicam uma parcela significativa das flutuações das exportações totais de bens

10.07.2020

Economia numa imagem: Os choques específicos sobre as maiores empresas portuguesas explicam uma parcela significativa das flutuações das exportações totais de bens

Uma característica importante das exportações portuguesas de bens é a sua marcada concentração num conjunto reduzido de grandes empresas. Em 2017, as 250 maiores empresas exportadoras foram responsáveis por quase 60% do total das exportações de bens, subindo esta percentagem para 80% quando se consideram as 1000 maiores empresas exportadoras. 

Uma implicação deste peso desproporcional das principais empresas nas exportações de bens é que os diferentes choques específicos que afetam as várias empresas podem não se cancelar, influenciando assim a evolução das exportações totais. Os choques específicos às grandes empresas podem ser resumidos num chamado “resíduo granular”, obtido ponderando as diferenças entre a taxa de crescimento das exportações de cada empresa individual e a variação média do grupo de grandes empresas. Como ilustrado para o caso das 1000 maiores empresas exportadoras, este resíduo granular apresenta uma forte relação com o crescimento do total de exportações portuguesas, contribuindo para explicar mais de um terço das flutuações agregadas no período 1994-2017. Tal significa que a volatilidade ao nível da empresa tem impacto significativo sobre a dinâmica do total das exportações ao longo do tempo. Este resultado sugere que – para além dos choques agregados sobre a procura externa e a competitividade – é importante a monitorização de um painel de grandes exportadoras para melhor compreender e antecipar o crescimento das exportações totais de bens.

 

Para mais detalhes ver Cabral, Gouveia e Manteu (2020), “A granularidade das exportações portuguesas ao nível da empresa”, publicado na Revista de Estudos Económicos do Banco de Portugal, vol. VI, n.º 2.

 

Preparado por Sónia Cabral, Carlos Melo Gouveia e Cristina Manteu. As análises, opiniões e resultados expressos neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem necessariamente com os do Banco de Portugal ou do Eurosistema.

 

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