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Economia numa imagem

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A quebra de atividade decorrente da pandemia COVID-19 tem um impacto muito heterogéneo na situação de tesouraria das empresas

08.05.2020

Economia numa imagem: A quebra de atividade decorrente da pandemia COVID-19 tem um impacto muito heterogéneo na situação de tesouraria das empresas

As medidas de confinamento social decididas em resposta à pandemia COVID-19 implicaram uma forte e abrupta redução da atividade das empresas no curto prazo. Muitas empresas interromperam ou reduziram significativamente a sua atividade, o que se traduziu numa redução significativa das receitas. Uma análise com dados microeconómicos sobre as reservas de liquidez das empresas e a sua capacidade de gerar fluxos de caixa numa situação de forte abrandamento da atividade sugere a existência de acentuada heterogeneidade. Tendo em conta as quedas observadas de atividade nos vários setores da economia, cerca de 40% das empresas deverão continuar a ser capazes de gerar um excedente de liquidez. Em contraste, para 16,6% das empresas as reservas de liquidez não deverão ser suficientes para pagar os custos fixos num horizonte de 40 dias úteis de contração de atividade. Quando se considera o impacto da medida de layoff simplificado introduzida pelo Governo, esta percentagem desce para 11,7%, um valor pouco acima do que seria expectável caso a pandemia não tivesse ocorrido.

Os valores apresentados refletem sobretudo o universo das microempresas, nas quais existe permanentemente uma maior percentagem de empresas com défice de liquidez e onde o aumento da percentagem em resultado da pandemia é inferior. Nas restantes dimensões de empresas, o aumento da fração de empresas com défice de liquidez oscila entre 9 pp (pequenas empresas) e 17 pp (grandes empresas). Nestes casos, a medida de layoff simplificado tem um impacto muito significativo, mas não neutraliza totalmente o impacto do choque. Os resultados obtidos sugerem também uma forte heterogeneidade ao nível do setor de atividade, com o setor do alojamento e restauração a destacar-se dos restantes, apresentando cerca de 31% de empresas com défice de liquidez.

 

Para mais detalhes consultar o Tema em destaque “O impacto económico da crise pandémica”, publicado no Boletim Económico do Banco de Portugal, de maio de 2020.

 

Preparado por Nuno Silva, António Santos e Luísa Farinha. As análises, opiniões e resultados expressos neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem necessariamente com os do Banco de Portugal ou do Eurosistema.

 

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