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Economia numa imagem

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Uma redução no crédito bancário pode ter efeitos persistentes no mercado de trabalho

28.02.2020

Uma redução no crédito bancário de curto-prazo pode ter efeitos persistentes na economia e, em particular, no mercado de trabalho. Acabbi, Panetti e Sforza (2019) encontram evidência que suporta esta tese para Portugal. A falência inesperada do banco de investimento Lehman Brothers e o subsequente congelamento do mercado interbancário em 2008 levaram a uma redução no crédito bancário de curto-prazo às empresas portuguesas. Tal levou as empresas a reduzir o emprego nos anos que se seguiram. O gráfico mostra que, depois de normalizado a zero o efeito do impacto (que já foi negativo) de uma redução de 1% no crédito de curto prazo em 2008, o efeito em 2009-2013 foi mais negativo em 0.08-0.18 pontos percentuais.  

Decompondo estes efeitos entre, por um lado, trabalhadores vinculados à empresa (i.e. que estão presentes numa empresa durante todo o período 2006-2008) e, por outro, trabalhadores menos vinculados (i.e. presentes na empresa só em parte do período 2006-2008) e contratações líquidas (depois de 2008), pode ver-se que este segundo grupo foi o mais afetado. A totalidade dos efeitos agregados no emprego é explicada por diminuições nos trabalhadores menos vinculados e nas contratações líquidas, enquanto o efeito sobre os trabalhadores vinculados não é estatisticamente diferente de zero. A presença de custos de despedimento que aumentam com a antiguidade dos trabalhadores, um mercado de trabalho dual e a preferência das empresas por reter trabalhadores mais experientes para não perder o seu capital humano são explicações possíveis para este fenómeno.

 

 

Para mais detalhes, ver Acabbi, Panetti e Sforza (2019), “The Financial Channels of Labor Rigidites: Evidence from Portugal”, Banco de Portugal Working Paper No 2019-15.

Preparado por Ettore Panetti e Leonor Queiró. As análises, opiniões e resultados expressos neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores, e não coincidem necessariamente com os do Banco de Portugal ou do Eurosistema.

 

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