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Economia numa imagem

Economia numa imagem

O impacto de estímulos orçamentais tende a ser menor em países com dívida elevada

06.09.2019

Economia numa imagem: O impacto de estímulos orçamentais tende a ser menor em países com dívida elevada

 
A “grande recessão” deixou uma herança de níveis historicamente elevados de dívida pública em vários países da área do euro. A literatura sobre a relação entre dívida pública e crescimento económico não é consensual. Tal relação depende de caraterísticas específicas de cada país, tais como a qualidade das instituições, a dimensão do setor público, o mecanismo que determinou a acumulação de dívida, ou a respetiva composição. 
 

Simulações baseadas em modelos de equilíbrio geral mostram que, em caso de choques negativos, economias com níveis mais elevados de dívida pública tendem a ser mais afetadas em termos de crescimento económico (efetivo e potencial), a permanecer mais tempo com taxas de juro próximas de zero, a ser mais afetadas por efeitos de contágio e a apresentar um maior crowding-out do endividamento privado. 
 

Adicionalmente, em economias com níveis elevados de dívida pública, a margem de manobra para a implementação de políticas contra-cíclicas é menor. Estes países têm menos capacidade para reagir a choques adversos, sobretudo em contextos em que a política monetária é decidida centralmente e a política orçamental permanece na esfera nacional. Uma regressão simples aplicada a um painel de países da área do euro entre 2003 e 2014 mostra que períodos de consolidação orçamental (ie, aumentos do saldo primário estrutural) tendem a estar associados a um menor crescimento do PIB no curto prazo. Analogamente, períodos de estímulo orçamental (ie, variações negativas do saldo primário estrutural) tendem a estar associados a taxas de variação do PIB mais elevadas no curto prazo. Contudo, este efeito – que pode ser interpretado em termos simples como um efeito multiplicador de curto prazo – é mais limitado no caso de países com níveis mais elevados de dívida pública, nos quais a sustentabilidade é um importante fator a ter em conta.  

 
Para mais detalhes, ver Checherita-Westphal et al. (2019): “Economic consequences of high public debt and challenges ahead for the euro area”, Banco de Portugal Occasional Paper, No. 4/2019.

 
Preparado por Maria Manuel Campos. As análises, opiniões e resultados expressos neste espaço são da exclusiva responsabilidade da autora e não coincidem necessariamente com os do Banco de Portugal ou do Eurosistema.

 
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