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Economia numa imagem

Considerando as expetativas de taxa de juro implícitas em instrumentos de mercado para os próximos 12 meses, os juros pagos pelas empresas aumentariam para níveis semelhantes aos de 2015/2016

04.11.2022

Economia numa imagem: Considerando as expetativas de taxa de juro implícitas em instrumentos de mercado para os próximos 12 meses, os juros pagos pelas empresas aumentariam para níveis semelhantes aos de 2015/2016

A preponderância de empréstimos com taxa de juro variável ou mista (83% do total) e de empréstimos de curto prazo com taxa fixa (4%) implica que o aumento das taxas EURIBOR se refletirá no custo de financiamento das empresas com um curto desfasamento. É possível simular o potencial impacto nas taxas de juro aplicadas aos empréstimos existentes às sociedades não financeiras nos próximos 12 meses, utilizando as expetativas implícitas em instrumentos de mercado. A estimativa deve ser interpretada como parcial, uma vez que não considera como é que o aumento da taxa de juro, ou o contexto macroeconómico que o impulsiona, pode afetar outras variáveis relevantes para as empresas e as suas decisões. 

Nas condições deste exercício o custo com juros aumentaria cerca de 1188M€ no decorrer do ano terminado em julho 2023 face ao estimado para o ano terminado em julho de 2022, o que corresponde a um aumento da taxa de juro implícita de 1,58 pp. Este valor da taxa de juro é semelhante ao verificado em julho de 2015. Assumindo a mesma variação de taxa para o encargo total com juros, que inclui o custo com outras fontes de financiamento para além dos empréstimos bancários, implica um aumento de custos correspondente a 5,3% do EBITDA de 2019. O rácio entre os juros e o EBITDA ficaria entre os valores verificados em 2015 e 2016. Por setor de atividade, destacam-se as empresas da construção e atividades imobiliárias (rácio de 9,1%), do alojamento e restauração (8,5%) e da eletricidade, gás e água (7,9%), para as quais o rácio já registava valores muito elevados em comparação com o total. Este aumento é também explicado pelo rácio entre a dívida e o EBITDA relativamente mais elevado nestes setores. O rácio entre a dívida e o EBITDA era também superior nas microempresas face às outras classes de dimensão, o que se traduz num aumento superior no rácio entre os juros e o EBITDA (8,7%).

 

Para mais detalhes ver a Caixa 2 “O impacto da subida de taxas de juro no custo de financiamento bancário das empresas” do Boletim Económico de outubro de 2022 do Banco de Portugal.

 

Preparado por António Santos. As análises, opiniões e resultados expressos neste espaço são da exclusiva responsabilidade do autor e não coincidem necessariamente com os do Banco de Portugal ou do Eurosistema.

 

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