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Economia numa imagem

A exposição elevada do balanço dos bancos centrais ao risco de taxa de juro não põe em causa a capacidade de estes cumprirem o seu mandato

23.09.2022

Economia numa imagem: A exposição elevada do balanço dos bancos centrais ao risco de taxa de juro não põe em causa a capacidade de estes cumprirem o seu mandato

Os balanços dos bancos centrais aumentaram de forma significativa ao longo da última década. A sua composição também se alterou, incluindo hoje mais títulos de longo prazo com taxa fixa, financiados por reservas remuneradas a taxas variáveis e ligadas às decisões de política monetária. Esta estrutura do balanço deixa os bancos centrais expostos a risco de taxa de juro e por isso vulneráveis a incorrer em perdas no momento em que as taxas de juro sobem.

No entanto, tal não coloca necessariamente em risco a capacidade de os bancos centrais cumprirem o seu mandato. O objetivo dos bancos centrais não é maximizar os lucros, mas antes garantir a estabilidade de preços e apoiar a prossecução de outros objetivos macroeconómicos. Em condições extremas, uma situação financeira frágil poderia interferir com a prossecução dos objetivos de política monetária, mas a literatura sugere que a probabilidade de tal ocorrer numa economia avançada é muito pequena.

A faculdade atribuída aos bancos centrais de imprimir moeda de curso legal a um custo negligenciável dá acesso a um fluxo de receitas (senhoriagem) significativo e razoavelmente certo. Ainda que seja difícil medir com precisão o valor atualizado destas receitas futuras, as estimativas disponíveis na literatura sugerem que tal será suficiente para cobrir uma eventual perda significativa em que um dos maiores bancos centrais possa incorrer.

 

Para mais detalhes, ver Cardoso da Costa (2022), “Sobre a solvência e a credibilidade de um banco central”, Revista de Estudos Económicos do Banco de Portugal, Vol. VIII, No. 3, pp. 75-97.

 

Preparado por José Miguel Cardoso da Costa. As análises, opiniões e resultados expressos neste espaço são da exclusiva responsabilidade do autor e não coincidem necessariamente com os do Banco de Portugal ou do Eurosistema.

 

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