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Economia numa imagem

A tributação das emissões de carbono revela-se uma política eficaz para que Portugal cumpra os objetivos do Acordo de Paris

22.07.2022

Efeitos de um imposto sobre o carbono em Portugal

 

À medida que os efeitos económicos das alterações climáticas se materializam, os governos enfrentam uma pressão crescente para adotarem políticas de mitigação mais agressivas, entre as quais a tributação (significativa) das emissões de carbono. Na verdade, os custos de uma ação tardia podem ser substanciais.

Com base num modelo multissetorial que combina a distribuição das aptidões dos trabalhadores com a composição setorial da economia, é possível quantificar os efeitos agregados e distributivos da tributação do carbono. Este exercício apresenta uma estimativa de 32,9% (80,4%) para um imposto sobre o carbono para que Portugal cumpra o objetivo de 35% (70%) de redução de emissões. Este imposto custa à economia portuguesa, no cenário mais desfavorável, 1,7% (7,5%) do PIB, no caso em que o governo não usa as suas receitas orçamentais para financiar a economia. Apesar do impacto relativamente pequeno no PIB e no bem-estar para o caso do imposto sobre o carbono de 32,9%, existem efeitos distributivos assimétricos ao nível setorial e dos indivíduos, afetando sobretudo os trabalhadores que permanecem nos setores energéticos poluentes.

 

Para mais detalhes, ver Hasna, Lourenço e Santos (2022), “Sobre os efeitos agregados e distributivos da tributação do carbono em Portugal”, Revista de Estudos Económicos, Vol. VIII, N.º 3, Banco de Portugal.

Preparado por Nuno Lourenço. As análises, opiniões e resultados expressos neste espaço são da exclusiva responsabilidade do autor e não coincidem necessariamente com os do Banco de Portugal ou do Eurosistema.

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