Está aqui

Economia numa imagem

Economia numa imagem

No período recente observa-se em Portugal uma relação negativa entre a taxa de crescimento nominal dos salários e a taxa de desemprego

10.01.2020

Em Portugal, ao longo do período de 2004 a 2017, verificou-se uma nítida relação inversa entre a taxa crescimento nominal dos salários (inflação salarial) e a taxa de desemprego, refletindo fielmente a versão mais estilizada da curva de Phillips. Esta relação, que é interpretável como uma função da oferta de trabalho agregada, faz com que em períodos de baixo desemprego os salários nominais cresçam de forma mais acentuada do que em períodos de elevado desemprego, onde o crescimento nominal dos salários é muito fraco. A um acréscimo de um ponto percentual na taxa de desemprego correspondeu uma diminuição da inflação salarial de uns significativos 0,4 pontos percentuais.  

 

Num contexto em que as expectativas sobre a taxa de inflação estão firmemente ancoradas num nível baixo, e em que há uma evidente rigidez à baixa dos salários nominais, a evolução da taxa de crescimento nominal dos salários é essencialmente determinada pela incidência de congelamentos salariais. De facto, durante o período mais agudo da crise económica, os congelamentos salariais alastraram a quatro quintos dos trabalhadores portugueses do sector empresarial.

 

Para mais detalhes, ver Pedro Portugal e Fernando Martins (2019) “De que forma a rigidez à baixa dos salários afetou o desemprego durante a crise económica?” em O Crescimento Económico Português: Uma Visão Sobre Questões Estruturais, Bloqueios e Reformas, Banco de Portugal.

Preparado por Fernando Martins e Pedro Portugal. As análises, opiniões e resultados expressos neste espaço são da exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem necessariamente com os do Banco de Portugal ou do Eurosistema.

 

Se desejar receber um e-mail quando for publicado um novo “Economia numa imagem” envie o seu pedido para info@bportugal.pt.