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Intervenção do Vice-Governador Luís Máximo dos Santos na abertura do Curso de Formação de Formadores em Gestão de Finanças Pessoais organizado pelo Banco de Portugal, Banco Central do Brasil e Aliança para a Inclusão Financeira

I. Bem-vindos a Lisboa, bem-vindos ao Banco de Portugal. 

Em nome do Banco de Portugal, gostaria de agradecer a vossa presença e dirigir uma saudação especial ao Banco Central do Brasil e à Aliança para a Inclusão Financeira (AFI, no acrónimo em língua inglesa) pela organização conjunta deste curso.

Esta iniciativa é mais um testemunho de que a cooperação entre os Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (BCPLP), que tem já uma longa história, é um bom exemplo a nível internacional. 

A partilha de experiências entre os BCPLP no âmbito da inclusão e formação financeira assumiu um caráter mais permanente, a partir de 2013, com o I Encontro dos BCPLP sobre inclusão e formação financeira, em Lisboa, à qual se seguiram mais dois encontros, em 2015 e 2017. 

Estes encontros sempre tiveram uma participação muito ativa por parte de todos os BCPLP, reflexo não só da importância que os bancos centrais atribuem ao tema da inclusão e formação financeira, mas também da riqueza que esta partilha tem significado para todos nós.

A inclusão e a formação financeira são essenciais para uma cidadania financeira responsável e são importantes seja qual for o contexto nacional. 

No mundo contemporâneo, o setor financeiro assumiu um relevo sem precedentes. O que torna ainda mais importantes os temas da inclusão e da literacia financeiras. A inclusão financeira é uma das dimensões da inclusão social e, nessa medida, constitui um fator de desenvolvimento económico inclusivo. 

A literacia financeira, por sua vez, não se resume aos conhecimentos que as pessoas têm sobre as características e funcionamento dos produtos e serviços financeiros. Inclui também a forma como as pessoas lidam com o dinheiro, como tomam as suas decisões de consumo, o que as motiva a poupar ou a pedir dinheiro emprestado – aquilo a que chamamos atitudes e comportamentos financeiros. 

Os estudos internacionais, nomeadamente os inquéritos à literacia financeira, evidenciam défices de literacia financeira (tanto ao nível dos conhecimentos, como das atitudes e comportamentos) em todos os países em que são realizados. Já a forma de lidar com esses défices de literacia financeira, as prioridades em termos de temas e públicos-alvo, os canais de comunicação a utilizar dependem do contexto económico, financeiro e institucional de cada país. 

Esta partilha entre os bancos centrais da lusofonia é por isso de enorme valia, uma vez que coloca à volta da mesa um conjunto de abordagens muito diversificadas, que mesmo que não possam ser diretamente transpostas para outros países, permitem conhecer e refletir sobre a forma como as mesmas podem ser adaptadas a cada contexto nacional. Permite-nos não só conhecer as iniciativas que foram bem-sucedidas em cada país, mas também saber o que correu menos bem. Ficamos assim, todos, em melhores condições para fazer as opções mais corretas na implementação das políticas de inclusão e formação financeira.

No âmbito do III Encontro dos BCPLP sobre Inclusão e Formação Financeira, que teve lugar em Lisboa, em Julho de 2017, foi assinado um Protocolo de cooperação entre os BCPLP e a AFI, iniciativa que nos dotou com mais um instrumento de aprofundamento da nossa cooperação.   

Este Protocolo vem reconhecer e enquadrar a colaboração institucional entre estas entidades, com vista à realização de projetos de reforço de competências para a promoção da inclusão e formação financeira nos países de língua portuguesa.

Aprofunda os mecanismos de partilha de experiências e de apoio técnico que têm marcado a cooperação entre BCPLP, na medida em que junta a esta cooperação um parceiro (a AFI) com conhecimento e experiência de implementação no terreno de iniciativas de inclusão e formação financeira especialmente direcionadas para o aumento do acesso das populações mais desfavorecidas a serviços financeiros adequados. 

Para o Banco de Portugal é uma oportunidade de colaborar com esta organização internacional e de - tal como os demais BCPLP - poder beneficiar e poder contribuir para a partilha de conhecimentos e a identificação de melhores práticas internacionais de promoção da inclusão e formação financeira.
 

II. O curso de formação de formadores em gestão de finanças pessoais que hoje iniciamos é a primeira iniciativa desenvolvida no âmbito deste Protocolo, à qual esperamos que muitas outras se sigam.

Pela diversidade de culturas que temos aqui reunida nesta sala e pelo caráter inovador do curso, estou certo que esta será uma experiência muito enriquecedora para todos os presentes.

Por um lado, estão aqui técnicos de quatro bancos centrais, com experiência de formação em finanças pessoais em quatro países (Angola, Brasil, Moçambique e Portugal) com culturas diferentes, apesar das afinidades históricas, pelo que a partilha de pontos de vista será seguramente muito interessante.

Por outro lado, é um curso com uma estrutura singular, uma vez que as sessões são dinamizadas por formadores de dois bancos centrais (Portugal e Brasil), promovendo assim, desde logo, uma maior diversidade na abordagem aos diferentes temas.

Permitam-me que destaque aqui a presença de colaboradores da Rede Regional do Banco de Portugal que vieram dos Açores, de Évora, de Faro e de Viseu para estarem connosco esta semana. A Rede Regional do Banco de Portugal tem desenvolvido um trabalho fundamental para levar a formação financeira às populações locais por todo o país e terão aqui uma oportunidade de contactar com novas metodologias de abordagem, que podem enriquecer o excelente trabalho que já desenvolvem. 

Faço votos para que esta seja uma semana bem passada em Lisboa e que a partilha de experiências e de metodologias de formação seja útil para apoiar a implementação das vossas próprias iniciativas de formação nestas áreas.