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Intervenção de abertura do Governador, Carlos da Silva Costa, na Conferência "Investimento, inovação e digitalização: o caso português"

Intervenção1

É com enorme prazer que vos dou as boas-vindas na Conferência Investimento, inovação e digitalização: o caso português. É para mim uma honra abrir esta conferência por diversas razões. Por economia de tempo, destacarei apenas três:

A primeira razão é o facto de a Conferência ser organizada em conjunto com o Banco Europeu de Investimento (BEI), no qual tive o privilégio de exercer funções e que acabou de celebrar 60 anos de atividade como braço financeiro da União Europeia. Desde a sua criação, em 1958, o BEI tem desenvolvido um papel inestimável no apoio às PME, que constituem a espinha dorsal do tecido empresarial europeu.

No caso de Portugal, desde os primeiros empréstimos concedidos em 1976, o BEI tem sido um ator vital para o desenvolvimento económico do nosso país. Desde então, o BEI aumentou e diversificou a sua atuação, apoiando múltiplos projetos, nos mais variados setores, mobilizando volumes consideráveis de recursos e disponibilizando o seu precioso aconselhamento e apoio técnico. Mais recentemente, no contexto do Plano de Investimento para a Europa, tem contribuído para promover o crescimento económico e o emprego, nomeadamente através do apoio à inovação em áreas-chave da economia portuguesa, como a indústria aeronáutica, a energia, a saúde e a educação.

A título ilustrativo, o financiamento total do Grupo BEI representou, em 2017, cerca de 1% do PIB português, tal como já tinha acontecido em 2016.

A segunda razão tem a ver com a própria temática do investimento, inovação e digitalização que assume relevância crescente, não só ao nível de Portugal e da União Europeia mas à escala global.

Vivemos num mundo cada vez mais globalizado, em que assistimos a uma mutação contínua da inovação, à ascensão rápida do setor digital e da economia intangível e ao aparecimento de novos players globais no domínio da investigação e desenvolvimento (como a China). Nunca como agora é tão verdadeira a afirmação de Heraclito de que “Nada é permanente a não ser a mudança”.

Para a União Europeia – e, como consequência, para cada um dos Estados­ Membros que a integram – é crucial participar nesta corrida global da inovação e da digitalização, sob pena de a Europa perder relevância no panorama internacional.

É pela via do investimento, da aposta na inovação e da capacidade de tirar partido das potencialidades da economia digital que se podem criar condições para o aumento da produtividade, indispensável ao crescimento económico no longo prazo.

Os avanços tecnológicos promovem o surgimento de empresas em setores inovadores, com novas formas de trabalhar e novas competências. Exigem, também, transformações profundas nos modelos de negócio das empresas dos setores mais tradicionais. A capacidade de inovação é uma importante alavanca da produtividade e da competitividade das empresas e da economia no seu conjunto.

A produtividade está relacionada, entre outros aspetos, com a absorção do conhecimento e do progresso tecnológico, com as competências dos recursos humanos, com a natureza e a dinâmica da inteligência coletiva das organizações e com a qualidade da gestão das empresas.

É pois fundamental que as empresas portuguesas evoluam no sentido de patamares superiores da cadeia de valor, da incorporação de conhecimento e do aproveitamento e rentabilização dos benefícios decorrentes da evolução tecnológica, incluindo a digitalização.

A este propósito, é com satisfação que leio no EIB Investment Survey 2018 relativo a Portugal que duas em cada cinco empresas portuguesas (40%) declaram ter desenvolvido ou introduzido novos produtos, processos ou serviços como parte das suas atividades de investimento, valor acima da média da União Europeia (34%). Importante também é o facto de 14% das empresas declararem que se trata de inovação que é nova no país ou no mercado global.

Finalmente, a terceira razão resulta do facto de a Conferência de hoje conseguir reunir num único evento um conjunto de representantes institucionais, peritos, operacionais, académicos e gestores de empresas. Esta composição multifacetada permitirá certamente:

  • Proporcionar um retrato atualizado dos níveis e motivações do investimento em Portugal e dos desafios com que se confrontam a empresas portuguesas;
  • Levar a cabo uma reflexão e um debate informados e fundamentados sobre inovação e economia digital. O que significa, em última instância, um debate sobre as vias de desenvolvimento que se apresentam ao nosso país.

1 Preparado para apresentação.

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