Está aqui

Declaração do Governador na conferência de imprensa a propósito da entrada em circulação das notas e moedas em euros

31/12/2001

A partir de amanhã vão começar a circular as notas e moedas em euros. Trata-se de um momento único na história monetária mundial e europeia. Doze países prescindem dos seus símbolos monetários e partilham a soberania num domínio tão relevante. Num mundo globalizado, o euro permite à União Europeia e às nações que a integram controlarem melhor o seu próprio destino. O projecto de unidade europeia fica agora particularmente reforçado. A existência de uma moeda comum é um factor decisivo para garantir a paz e a prosperidade de um continente tão martirizado no passado por guerras e conflitos. 

O euro vai mudar a Europa e mudou Portugal. A preparação para participarmos no euro levou uma década e envolveu dois Governos a cuja actividade convergente quero hoje prestar tributo. Houve visão e disciplina na concretização da estratégia. O país cumpre quando tem objectivos claros e metas bem definidas. Foi uma década que teve uma primeira fase de ajustamento para trazer a inflação para níveis europeus e uma segunda em que beneficiámos já de um novo regime de inflação baixa. Foi também uma década de reforço e modernização do nosso sistema financeiro. Sem a nossa participação no euro não teria sido possível a descida estrutural das taxas de juro, tornando solventes para aceder ao crédito e a muitos bens de consumo duradouro, milhares de famílias que puderam assim melhorar o seu nível de vida. Também as empresas passaram a desfrutar de menores encargos financeiros e com mais baixo custo de capital puderam mais facilmente investir e modernizar-se. A história registará como extraordinárias as transformações que o país operou na última década e assinalará a impressionante melhoria do nível de vida em tão curto período. 

Como todas as boas moedas o euro tem, porém, duas faces: a face que nos proporciona baixa inflação e baixas taxas de juro e a face exigente que nos impõe disciplina na política de rendimentos e responsabilidade financeira na política orçamental. Não podemos ignorar as novas regras de funcionamento que o euro nos impõe. 

O menor dos custos é a adaptação que agora temos de fazer a uma nova unidade de conta. Habituar-se a uma nova moeda é o que fazem habitualmente, e sem grande dificuldade, os nossos emigrantes e todos os que têm tido oportunidade de viajar ao estrangeiro. Não devemos, pois, exagerar o esforço que vamos ter que realizar para nos habituarmos às novas espécies monetárias. 

Durante dois meses, até ao fim de Fevereiro, terão ainda curso legal as notas e moedas denominadas em escudos. Depois dessa data desaparecerá para sempre o escudo em circulação, podendo, no entanto, as pessoas trocar as notas de escudos nos Bancos até Junho e no Banco de Portugal durante os próximos 20 anos. Devem sempre trocar as notas de preferência nos Bancos. Todas as caixas automáticas passarão a distribuir apenas notas em euros ao fim de quatro dias. Ninguém tem necessidade de se precipitar ou ter receio de não estar preparado no primeiro dia. Nos primeiros dias as pessoas devem evitar efectuar pagamentos mistos, ou seja, pagar uma parte em euros e outra em escudos. Na medida do possível, os pagamentos de pequenas quantias devem ser efectuados com montantes exactos de dinheiro. Os comerciantes devem procurar dar trocos apenas em euros. Estas são algumas regras simples para que tudo ocorra com normalidade e eficiência. 

Aproveito para agradecer ao sector do comércio e ao sector bancário a excelente colaboração que deram a todo o processo de preparação desta grande operação logística. O país conta com ambos para continuarem a contribuir para uma harmoniosa introdução física do euro. Quero também agradecer o magnífico trabalho da Comunicação Social na divulgação de todos os aspectos da introdução das novas notas e moedas. A par do excelente trabalho da Comissão Nacional do Euro, a população não estaria hoje tão preparada sem o esforço da Comunicação Social.

Tudo foi preparado com tempo e com cuidado. O período de dupla circulação permite fazer uma adaptação tranquila. Com serenidade, vamos vencer o resto das resistências e dificuldades associadas à entrada da nova moeda, por forma a construirmos um futuro melhor para as novas gerações.

Tags