Está aqui

Comunicado do Banco de Portugal sobre o Relatório dos Sistemas de Pagamentos de 2017

O Banco de Portugal publica hoje o Relatório dos Sistemas de Pagamentos relativo a 2017.

O relatório apresenta factos e números sobre o funcionamento dos sistemas de pagamentos em Portugal em 2017 e descreve os principais desenvolvimentos neste domínio.

Em Portugal, os pagamentos de retalho aumentaram 8% em 2017, em número e em valor, acompanhando a evolução da atividade económica.

Em 2017, o sistema que processa as operações de pagamento de retalho em Portugal, o SICOI, liquidou 2541 milhões de operações, no valor de 417 mil milhões de euros. As operações processadas no SICOI aumentaram 8% em número e em valor relativamente ao ano anterior, prosseguindo a tendência de crescimento dos últimos anos.

O recurso a instrumentos de pagamento eletrónicos também voltou a aumentar. Os débitos diretos foram o instrumento de pagamento cuja utilização mais cresceu em Portugal: 12,1% em número e 16% em valor. As transferências a crédito aumentaram 8,2% em número e 10,9% em valor. As operações realizadas pelo Multibanco também cresceram: 8% em quantidade e 8,5% nos montantes processados.

Em contrapartida, a utilização de instrumentos em papel diminuiu. 

Apesar de ainda terem representado 13,1% dos montantes processados no SICOI, as operações com cheques decresceram 11,6% em número e 5,8% em valor.

O número de cheques devolvidos também diminuiu, 12,2%, bem como as entidades registadas na listagem de utilizadores de cheque que oferecem risco, 13% (17 263 entidades a 31 de dezembro).
 

As compras online com cartão continuaram a ter um peso pouco expressivo em Portugal, assim como a utilização de cartões contactless.

As operações processadas pela rede Multibanco continuaram a representar 86% do número e 27,6% do montante total de pagamentos de retalho excluindo o numerário. Dos 2185 milhões de operações efetuadas pelo Multibanco, 49,5% foram compras, 20, 1% levantamentos e 19,8% operações de baixo valor.

No final do ano, estavam registados na rede Multibanco 14,6 milhões de cartões de débito (mais 4,1% do que em 2016) e 6 milhões de cartões de crédito (mais 0,5%).

As compras online com cartão continuaram a ter um peso pouco expressivo em Portugal: representaram apenas 3,9% do número e 5,9% do valor total de compras realizadas em 2017. Da mesma forma, nas compras presenciais, apenas 1,6% do número e 0,6% do valor processados corresponderam a operações realizadas com recurso a tecnologia de leitura por aproximação do cartão de pagamento (tecnologia contactless). Estes números evidenciam que existe uma margem de progressão significativa na adoção de soluções inovadoras nos pagamentos de retalho.
 

Em 2017,os sistemas de pagamentos em Portugal operaram sem perturbações.

Em 2017,os sistemas de pagamentos de retalho e de grande montante funcionaram de forma estável e ininterrupta.

O TARGET2-PT – a componente portuguesa do sistema europeu que liquida ordens de pagamento em euros, tipicamente de grande valor – processou 1,9 milhões de operações, no valor de 1942 mil milhões de euros, o equivalente a 10,5 vezes o valor do produto interno bruto português a preços correntes em 2017.

O número de operações aumentou 8,2%; o montante decresceu 7,7%.
 

Estão a ser preparadas alterações relevantes ao mercado de pagamentos em Portugal, com impacto esperado já em 2018, que requerem a adaptação atempada da comunidade bancária.

Em Portugal, está a ser desenvolvida uma solução que permite a realização de transferências imediatas, que deverá entrar em funcionamento no segundo trimestre de 2018. A partir de novembro de 2018, o Eurosistema também oferecerá um serviço de liquidação contínuo de pagamentos imediatos em moeda de banco central: o TARGET Instant Payment Settlement (TIPS).

O enquadramento dos serviços de pagamento também será alterado na sequência da entrada em vigor da Diretiva de Serviços de Pagamento revista (DSP2) e das normas que a complementam. Entre outras inovações, a Diretiva passa a regular todas as operações em que pelo menos um dos prestadores de serviços de pagamento esteja situado na União Europeia, independentemente da moeda em causa. Também prevê novos serviços de pagamento – os serviços de informação sobre contas e os serviços de iniciação de pagamentos, abrindo o mercado a novos prestadores –, estabelece novas requisitos de segurança nas transações online e introduz novas regras relativas à responsabilidade por operações não autorizadas.

Todas estas alterações, que requerem a adaptação atempada da comunidade bancária nacional, contribuirão para que os pagamentos possam ser efetuados de forma cada vez mais rápida, conveniente e segura.