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Comunicado do Banco de Portugal sobre o Boletim Económico de outubro de 2021

A economia portuguesa cresce 4,8% em 2021, aproximando-se do nível pré-pandemia no final do ano. A recuperação da atividade reflete o controlo da pandemia, através do processo de vacinação – com efeitos positivos na confiança dos agentes económicos – e a manutenção de políticas económicas expansionistas. A inflação situa-se em 0,9% em 2021.

Comunicado do Banco de Portugal sobre o Boletim Económico de outubro de 2021

No primeiro semestre, a queda da atividade e subsequente recuperação foram mais acentuadas nos serviços que envolvem maior contato social. A despesa em serviços permanece abaixo do período pré-pandémico, dada a persistência de comportamentos de precaução, a recuperação lenta do turismo e um maior recurso ao teletrabalho. Em contraste, a despesa em bens está já acima, embora condicionada pelas perturbações na oferta.

O consumo privado cresce 4,3% em 2021, sustentado pelo crescimento do rendimento disponível e pela redução gradual da taxa de poupança. O crescimento do rendimento disponível em termos reais resulta da recuperação forte do emprego e do dinamismo dos salários nominais, sendo atenuado pelo aumento da inflação.  

O consumo público deverá crescer 5,2% em termos reais, após uma quase estabilização em 2020.

O investimento aumenta 5,6%, sustentado pelas perspetivas de recuperação, pelos fundos europeus e pelo crédito a taxas de juro baixas e com garantia do Estado. 

As exportações de bens crescem 10,7% em 2021, acompanhando o dinamismo da procura externa dirigida à economia portuguesa. As perturbações nas cadeias de abastecimento continuam a afetar a evolução deste agregado até ao final do ano. 

As exportações de serviços continuam condicionadas pelo impacto da pandemia em 2021, crescendo 7%, após uma redução de 37,2% no ano anterior. No final do ano, as exportações de serviços situam-se cerca de 20% abaixo dos valores pré-pandemia.

O saldo da balança corrente e de capital aumenta, situando-se em 1% do PIB, beneficiando da entrada de fundos europeus. 

No mercado de trabalho, o emprego aumenta 2,6% e a taxa de desemprego reduz-se para 6,8% (7% em 2020), beneficiando da recuperação dos serviços mais intensivos em trabalho. 

Em 2021, a economia portuguesa continua o processo de recuperação iniciado no terceiro trimestre de 2020. O choque pandémico revelou-se temporário, não obstante o impacto mais prolongado em alguns setores e empresas.  Os desafios mais próximos incluem a redução do endividamento, a utilização eficiente do Plano de Recuperação e Resiliência e a necessária reafectação de recursos físicos e humanos em resposta à transição climática e digital. A adaptação das políticas económicas e o sucesso do país na gestão destes desafios contribuirão para uma expansão da atividade mais forte do que a projetada antes da crise e para o retomar da convergência com a área do euro.