Está aqui

Comunicado do Banco de Portugal sobre o Boletim Económico de março de 2021

A economia portuguesa consolida em 2021 a trajetória de recuperação. Entre 2021 e 2023 projetam-se crescimentos económicos de 3,9%, 5,2% e 2,4%, respetivamente. A inflação mantém-se contida e mais moderada do que na área do euro, passando de -0,1% em 2020 para 0,7%, 0,9% e 1,0% ao longo da projeção.

As perspetivas para a economia portuguesa continuam a ser influenciadas pela evolução da pandemia. A recuperação iniciada no segundo semestre de 2020 foi temporariamente interrompida, ainda que o impacto do atual confinamento seja inferior ao do segundo trimestre de 2020. Apesar da volatilidade no curto prazo, o início do processo de vacinação reforçou a confiança na recuperação económica, também ancorada nas orientações favoráveis das políticas monetária e orçamental. As projeções assumem que as restrições serão gradualmente levantadas a partir do segundo trimestre de 2021 e que a implementação de uma solução médica eficaz estará concluída até ao início de 2022, em Portugal e na área do euro. 

Projeções para Portugal 2021-23

Face a dezembro, as projeções para 2021 e 2023 mantiveram-se inalteradas, havendo uma revisão em alta de 0,7 pontos percentuais em 2022.

A recuperação é diferenciada entre setores e componentes da despesa, sendo mais rápida após o início do levantamento das medidas de contenção. Os principais contributos para o crescimento económico vêm das componentes que mais caíram face a 2019, exportações e consumo privado. 

O consumo privado cresce 2,0%, 4,8% e 2,3% em 2021-23, sendo a recuperação mais lenta nos serviços que exigem interação social. A recuperação do consumo é reforçada pela tendência descendente da taxa de poupança no horizonte de projeção. 

O investimento cresce cerca de 5% em média, beneficiando da entrada de fundos europeus, em particular do novo instrumento Next Generation EU.

A recuperação das exportações reflete a dinâmica favorável da procura externa de bens e da recuperação mais gradual do turismo e dos serviços relacionados. As exportações de bens e serviços crescem 13,7% em 2021, 11,5% em 2022 e 5,3% em 2023. Por seu turno, as exportações de bens crescem 15,1% em 2021 – ultrapassando as de 2019 – e aumentam 4,9% e 3,2% em 2022 e 2023. 

As importações crescem em média 8,4% em 2021-23, desacelerando no final do período, em linha com a evolução da procura global. O défice da balança de bens e serviços diminui em 2021, situando-se em valores próximos de zero no restante horizonte de projeção.

A retoma da atividade traduz-se numa melhoria no mercado de trabalho, com um crescimento médio do emprego de 0,8% em 2021-23 e uma redução da taxa de desemprego a partir de 2022. No final do horizonte, a taxa de desemprego deverá ser superior à observada em 2019, embora muito aquém da observada na crise de 2011-13.

O nível de atividade de 2019 é alcançado em meados de 2022, mas existe uma perda face ao que se teria verificado na ausência da pandemia. A crise levou à interrupção da acumulação de fatores produtivos, incluindo capital humano. Existem também custos de realocação dos fatores produtivos associados ao impacto setorial diferenciado. Adicionalmente, o aumento do endividamento dos setores público e privado colocará importantes desafios à economia portuguesa.