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Comunicado do Banco de Portugal sobre o Boletim Económico de março de 2019

O Banco de Portugal publicou hoje o Boletim Económico de março de 2019. O Boletim atualiza as projeções para a economia portuguesa relativas ao período 2019-2021.

 

Projeções para a economia portuguesa 2019-2021

A economia portuguesa deverá continuar a crescer até 2021, embora a um ritmo ligeiramente inferior ao registado nos últimos anos. Depois de ter aumentado 2,1% em 2018, o produto interno bruto (PIB) deverá crescer 1,7% em 2019 e em 2020 e 1,6% em 2021, aproximando-se do crescimento potencial. A projeção para o crescimento do PIB em 2019 é inferior em 0,1 pontos percentuais (pp) à divulgada no Boletim Económico de dezembro; as projeções para 2020 e 2021 são idênticas às então publicadas.

O crescimento projetado para a atividade económica em Portugal é superior ao projetado pelo Banco Central Europeu para a área do euro, antevendo-se, desta forma, progressos ligeiros na convergência da economia portuguesa para os níveis médios de rendimento da área do euro.

A economia portuguesa deverá continuar a beneficiar de um enquadramento económico e financeiro favorável, incluindo um crescimento médio da procura externa de 3,4% e a manutenção de condições favoráveis de financiamento aos agentes económicos.

O crescimento da atividade ao longo do horizonte de projeção deverá resultar dos contributos da procura interna e, em menor medida, das exportações.

Na procura interna, estima-se que o consumo privado continue a crescer, em média, 2,1% ao ano, um ritmo superior ao projetado para o crescimento da atividade, espelhando o aumento do rendimento disponível real das famílias. Depois de ter crescido 4,4% em 2018, a formação bruta de capital fixo (FBCF) deverá aumentar 6,8% em 2019, 5,8% em 2020 e 5,2% em 2021, refletindo, sobretudo, o contributo da componente empresarial.

As exportações deverão manter um ritmo de crescimento próximo do registado em 2018: projeta-se que cresçam 3,8% em 2019, 3,7% em 2020 e 3,6% em 2020, acompanhando o crescimento da procura externa dirigida à economia portuguesa, com pequenos ganhos de quota de mercado, sobretudo associados à atividade turística.

Até 2021, a economia portuguesa deverá manter capacidade de financiamento relativamente ao exterior, apresentando excedentes da balança corrente e de capital de 0,6% do PIB em 2019 e em 2020 e de 0,9% do PIB em 2021. Esta evolução tem subjacente uma progressiva deterioração da balança de bens e serviços, decorrente do maior dinamismo das importações face às exportações, e uma melhoria da balança de rendimentos e de capital.

Projeta-se que o mercado de trabalho continue a evoluir favoravelmente. O emprego total deverá crescer ao longo do horizonte, ainda que a um ritmo progressivamente mais baixo, refletindo a maturação do ciclo económico e o aumento das restrições na oferta de trabalho. Depois de ter crescido 2,3% em 2018, o emprego deverá aumentar 1,5% em 2019, 0,9% em 2020 e 0,4% em 2021. A taxa de desemprego deverá continuar a reduzir-se nos próximos anos, passando de 7%, em 2018, para 5,2%, em 2021. Perspetiva-se ainda um incremento do produto por trabalhador ao longo do horizonte de projeção.

A inflação, medida pela taxa de variação do índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC), deverá diminuir de 1,2% em 2018 para 0,8% em 2019, e aumentar nos dois anos seguintes. Antecipa-se um aumento dos preços inferior ao projetado para a área do euro.

Boletim Económico - março 2019

O crescimento projetado para a economia portuguesa para o período 2019-21 é inferior ao observado nos últimos anos, uma perspetiva comum à área do euro. Um fator que contribui para esta evolução é a desaceleração do comércio internacional, existindo riscos de esta tendência se acentuar. 

Por outro lado, persistem ainda constrangimentos específicos ao crescimento da economia portuguesa no médio e longo prazo – demográficos, tecnológicos e institucionais –, aos quais acrescem os elevados níveis de endividamento dos agentes económicos. É, por conseguinte, essencial criar condições que promovam o aumento da produtividade, através de uma melhor afetação de recursos, do bom funcionamento dos mercados do produto e de trabalho, bem como da aposta no capital humano e na inovação.

 

Tema em destaque. “Taxa de juro natural: do conceito aos desafios para a política monetária”

O Boletim Económico inclui um tema em destaque, sobre a taxa de juro natural. A indicação de que a taxa de juro natural nas maiores economias avançadas está e pode permanecer em níveis historicamente baixos acarreta importantes desafios para a condução da política monetária, analisados com maior detalhe nesta edição do Boletim

O Boletim Económico inclui ainda quatro caixas que enquadram as projeções para a economia portuguesa:

  • Caixa 1 | Uma análise de sensibilidade das projeções a choques adversos de procura externa
  • Caixa 2 | Impacto dos recebimentos de fundos da União Europeia na balança corrente e de capital: Portugal 2020 em perspetiva
  • Caixa 3 | Uma avaliação das projeções para 2018
  • Caixa 4 | Atualização dos conteúdos importados da procura global para a economia portuguesa