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Comunicado do Banco de Portugal sobre o Boletim Económico de maio de 2019

O Banco de Portugal publicou hoje o Boletim Económico de maio de 2019. O Boletim apresenta uma análise da economia portuguesa em 2018.

 

A economia portuguesa em 2018

Em 2018, a atividade económica em Portugal expandiu-se pelo quinto ano consecutivo, com o produto a superar, pela primeira vez, o nível alcançado antes da crise financeira internacional. O produto interno bruto (PIB) real aumentou 2,1%, depois de ter crescido 2,8% em 2017. Esta desaceleração acompanhou os desenvolvimentos na área do euro e foi determinada pelo crescimento menos acentuado das exportações e, em menor grau, do investimento empresarial. Em 2018, o PIB real situou-se 1,2% acima do nível observado em 2008. Já o PIB per capita cresceu 2,3% em 2018 (3,0% em 2017), prosseguindo a convergência para o PIB per capita da área do euro, que aumentou 1,2%. Não obstante, em 2018, o PIB per capita português situava-se em 58% do PIB per capita da área do euro.

As exportações de bens e serviços aumentaram 3,6% em 2018 (7,8% em 2017), num contexto de crescimento da procura externa dirigida à economia portuguesa e de ganhos de quota de mercado, em ambos os casos menos expressivos do que os observados no ano anterior. A evolução foi diferenciada por mercados: as exportações para a União Europeia mantiveram um crescimento significativo; em contraste, diminuíram as vendas para fora da União. Embora tenham desacelerado, as exportações de turismo aumentaram 7,5% em 2018 e estiveram, a par das exportações de automóveis, na origem dos ganhos de quota de mercado dos exportadores portugueses, que totalizaram 0,3 pontos percentuais (pp) em 2018 (3,1 pp em 2017). As importações cresceram 4,9% em 2018 (8,1% em 2017); embora também tenham abrandado, superaram a evolução das exportações, o que se traduziu numa redução do excedente da balança de bens e serviços.

O investimento aumentou 5,7% em 2018, menos 3,5 pp do que em 2017. A formação bruta de capital fixo voltou a crescer acima da atividade (4,4%), embora a um ritmo inferior ao observado no ano anterior (9,2%). 

O consumo privado acelerou ligeiramente, passando de um crescimento de 2,3% em 2017 para 2,5% em 2018. A evolução do consumo privado tem sido suportada pelo aumento do rendimento disponível real e pela manutenção de condições de financiamento favoráveis. A taxa de poupança das famílias permaneceu em níveis historicamente baixos.

O mercado de trabalho continuou a evoluir favoravelmente. O emprego aumentou 2,3%, refletindo, sobretudo, um acréscimo significativo do emprego entre os indivíduos com idade superior a 45 anos. A taxa de desemprego fixou-se em 7,0%, o valor mais baixo registado em Portugal desde 2004. O salário médio da economia cresceu 2,2%, mais 0,6 pp do que no ano anterior. No entanto, a produtividade do trabalho, medida pelo valor acrescentado bruto por trabalhador, reduziu-se 0,6%.

A capacidade de financiamento da economia portuguesa, medida pelo saldo da balança corrente e de capital, diminuiu de 1,4% do PIB, em 2017, para 0,4% do PIB em 2018, refletindo a redução da poupança e o aumento do investimento do conjunto da economia.

O rácio de endividamento dos particulares e das empresas continuou a decrescer, no primeiro caso de forma menos vincada do que em anos anteriores. O défice das administrações públicas reduziu-se de 3,0% do PIB em 2017 para 0,5% do PIB em 2018, um valor historicamente baixo. Excluindo o contributo de medidas temporárias, a redução cifrou-se em 1,0 pp do PIB. A dívida das administrações públicas diminuiu 3,3 pp do PIB, para 121,5%, permanecendo, ainda assim, entre as mais elevadas da área do euro.

A taxa de inflação em Portugal, medida pelo índice harmonizado de preços no consumidor, situou-se em 1,2%. O aumento de preços foi inferior ao registado em 2017 (1,6%) e ao observado na área do euro (1,8%). A desaceleração estendeu-se aos principais agregados, com exceção dos bens energéticos.

A expansão da economia portuguesa nos últimos cinco anos tem sido acompanhada por uma redução do endividamento dos vários setores da economia e, por esta via, dos desequilíbrios acumulados no passado. A economia está, hoje, mais aberta ao exterior e o PIB per capita tem vindo a convergir ligeiramente com o da área do euro. Não obstante, o crescimento do produto tem decorrido, essencialmente, de um crescimento do emprego e não de um aumento da produtividade. O aumento do potencial de crescimento da economia é determinante para suportar o crescimento do consumo privado e a acumulação de capital, sem comprometer a necessária redução do endividamento. É, por outro lado, crucial persistir na implementação de políticas económicas que promovam a convergência entre as economias da área do euro, num quadro de coordenação entre as políticas nacionais e europeias e de conclusão da União Bancária.

Produtividade das empresas em destaque no Boletim

O Boletim Económico de maio inclui um tema em destaque: “Produtividade aparente do trabalho em Portugal na última década – uma abordagem ao nível da empresa”.

Inclui também sete caixas, que contribuem para enquadrar a análise da economia portuguesa:

  • Caixa 1 | Desenvolvimentos no processo de saída da União Europeia (Brexit) e o seu impacto no Reino Unido 
  • Caixa 2 | Taxas de juro dos novos empréstimos concedidos às empresas por perfil de risco 
  • Caixa 3 | Evolução estrutural da receita fiscal e contributiva 
  • Caixa 4 | Contributo do setor do comércio e reparação para a atividade e emprego 
  • Caixa 5 | Consumo, crédito e aplicações financeiras dos particulares
  • Caixa 6 | Previsões da inflação: Portugal e a área do euro
  • Caixa 7 | Ajustamento cíclico das exportações e importações.

Nesta edição do Boletim são ainda publicadas as séries trimestrais para a economia portuguesa (1977 – 2018) e as séries anuais do património dos particulares (1980 – 2018).