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Comunicado do Banco de Portugal sobre o Boletim Económico de maio de 2017

O Banco de Portugal publica hoje o Boletim Económico de maio de 2017. O Boletim apresenta uma análise da economia portuguesa em 2016.

A economia portuguesa em 2016

Em 2016, a economia portuguesa apresentou um crescimento moderado, com forte aceleração no segundo semestre. O PIB aumentou 1,4% no conjunto do ano, depois de ter crescido 1,6% em 2015. No segundo semestre de 2016, o PIB subiu 1,9%, dando sinais de que a recuperação da economia portuguesa tenderá a prosseguir. O crescimento do produto português em 2016 situou-se 0,3 pontos percentuais abaixo do observado na área do euro e o seu nível mantém-se ainda 4% abaixo do registado em 2008, ano em que se iniciou a crise económica e financeira internacional.

O consumo privado aumentou 2,3% em 2016. Embora tenha desacelerado 0,3 p.p. em relação ao ano anterior, continuou a apresentar um crescimento forte, em particular no último trimestre do ano, traduzindo a confiança dos consumidores, que se manteve em níveis historicamente elevados, e o aumento do rendimento disponível das famílias, refletindo em grande parte a recuperação no mercado de trabalho.

A formação bruta de capital fixo diminuiu 0,1% em 2016, contrariando o crescimento de 4,5% observado no ano anterior. Refira-se, no entanto, que apresentou um perfil de recuperação intra-anual e uma aceleração na componente empresarial.

As exportações de bens e serviços cresceram 4,4%, depois de terem aumentado 6,1% em 2015. Para o menor dinamismo das exportações em 2016 contribuíram a redução nas exportações de bens energéticos e o crescimento menos acentuado das exportações de serviços. O crescimento em volume das exportações de bens e serviços foi superior ao crescimento da procura externa, traduzindo um novo ganho de quota de mercado.

Ao nível dos equilíbrios macroeconómicos fundamentais, o excedente da balança corrente e de capital aumentou 0,5 p.p. em 2016, para 1,7% do PIB. A capacidade de financiamento da economia portuguesa aumentou 1,2 p.p. para 1,5% do PIB.

A desalavancagem da economia portuguesa prosseguiu, embora os rácios de endividamento se continuem a situar em níveis elevados. Os rácios de endividamento das famílias e das empresas diminuíram, respetivamente, 2,6 p.p. e 4,1 p.p., para 86,5% e 105,5% do PIB em 2016. A taxa de poupança situou-se em 4,4 por cento do rendimento disponível, um valor inferior em 0,1 p.p. ao registado em 2015.

O défice das administrações públicas registou uma diminuição para 2,0% do PIB, num cenário de estabilização do saldo estrutural e de redução do saldo primário estrutural.

As condições no mercado de trabalho continuaram a evidenciar uma recuperação significativa, num quadro de maior dinamismo salarial. O emprego aumentou 1,2% e a taxa de desemprego diminuiu 1,3 p.p., situando-se, em termos médios anuais, em 11,1%. O desemprego de longa duração também decresceu, mas continua a ter um peso preponderante no desemprego total (62,1%).

O índice harmonizado de preços no consumidor aumentou 0,6% em 2016 (0,5% em 2015).

A economia portuguesa tem revelado uma notável capacidade de ajustamento macroeconómico e uma reestruturação setorial assente numa dinâmica de internacionalização das empresas. A continuação do crescimento económico e o aumento do bem-estar dos cidadãos exigem, contudo, o reforço do investimento produtivo das empresas e a disponibilidade de recursos humanos qualificados, num quadro de estabilidade financeira e de previsibilidade legislativa, sem comprometer o equilíbrio das contas externas. As baixas taxas de poupança, o elevado endividamento dos agentes económicos, a evolução demográfica desfavorável e a incerteza do quadro internacional requerem, por isso, uma abordagem prospetiva e coerente das políticas económicas.

Tema em Destaque: “Mecanismos distributivos da política monetária na economia portuguesa”

O Boletim Económico inclui ainda um tema em destaque sobre a relação entre a condução da política monetária e a evolução da desigualdade.