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Comunicado do Banco de Portugal sobre o Boletim Económico de junho de 2017

O Banco de Portugal publica hoje o Boletim Económico de junho de 2017. O Boletim atualiza as projeções macroeconómicas para o período 2017-2019. 

 

Projeções para a economia portuguesa 2017-2019

A atividade económica em Portugal deverá crescer ao longo do horizonte de projeção a um ritmo superior ao da área do euro e ao registado desde o início da recuperação económica. Após um crescimento de 1,4% em 2016, o produto interno bruto (PIB) deverá aumentar 2,5% em 2017, 2,0% em 2018 e 1,8% em 2019, valores superiores aos projetados pelo Banco de Portugal em março. Em 2019, o nível do PIB português deverá superar o observado antes da crise financeira internacional.

A recuperação da atividade económica no horizonte de projeção deverá resultar de um maior dinamismo das exportações, num quadro de melhoria do enquadramento internacional, e da recuperação da procura interna, nomeadamente do investimento.

Antecipa-se uma forte aceleração das exportações de bens e serviços em 2017 e um crescimento robusto nos dois anos seguintes, com ganhos adicionais de quota de mercado.

Na procura interna, o crescimento do consumo privado deverá ser ligeiramente inferior ao crescimento da atividade ao longo do horizonte da projeção. Ainda assim, em 2019 o consumo privado deverá estar acima do registado antes da crise financeira internacional.

Depois de ter virtualmente estabilizado em 2016, a formação bruta de capital fixo (FBCF) deverá crescer 8,8% em 2017 e ligeiramente acima de 5% nos dois anos seguintes. A FBCF empresarial deverá crescer acima de 6% ao longo do horizonte de projeção, atingindo, em 2019, um peso no PIB próximo do registado antes da crise financeira internacional.

Projeta-se uma evolução favorável do mercado de trabalho. Depois de ter aumentado 1,6% em 2016, o emprego deverá crescer 2,4% em 2017 e 1,3% em 2018 e em 2019. A taxa de desemprego também deverá cair ao longo do horizonte, atingindo 7% em 2019.

A evolução da atividade económica e do emprego deverá, contudo, continuar a traduzir-se numa recuperação muito modesta da produtividade do trabalho, o que poderá ser explicada em parte pelas sucessivas quebras no investimento registadas entre 2009 e 2013.

As projeções apontam ainda para uma relativa estabilização da inflação ao longo do horizonte de projeção. Depois de um aumento de 0,6% em 2016, os preços no consumidor deverão crescer 1,6% em 2017, 1,4% em 2018 e 1,5% em 2019.

O padrão de crescimento económico projetado é consistente com uma recuperação sustentada da economia portuguesa. No entanto, subsistem importantes constrangimentos a um crescimento sustentável a longo prazo, com destaque para o forte endividamento dos agentes económicos, o baixo nível de capital produtivo por trabalhador, a evolução demográfica desfavorável e o elevado nível de desemprego de longa duração.

É necessário prosseguir a orientação de recursos para empresas mais expostas à concorrência internacional e mais produtivas, aumentando os incentivos à inovação, à mobilidade de fatores e ao investimento em capital físico e humano, num quadro institucional e fiscal previsível. Simultaneamente, é importante concretizar uma redução sustentada do endividamento público, o que requer a manutenção do esforço de consolidação orçamental. Todos estes progressos estruturais são ainda mais prementes em virtude da natureza temporária das medidas não convencionais de política monetária na área do euro e da persistência de riscos descendentes para a atividade económica no médio prazo. 

Destaque: Dinâmica de poupança e investimento das empresas portuguesas

O Boletim Económico de junho inclui um tema em destaque – “Dinâmica de poupança e investimento das empresas portuguesas” – e cinco caixas:

  • Caixa 1 | Hipóteses do exercício de projeção;
  • Caixa 2 | Uma perspetiva sobre a evolução do stock de bens de consumo duradouro em Portugal;
  • Caixa 3 | Grau de abertura da economia portuguesa: evolução recente e perspetivas;
  • Caixa 4 | Perspetivas orçamentais a médio prazo;
  • Caixa 5 | As regras orçamentais no braço preventivo do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

Inclui ainda dois conjuntos de séries sobre a economia portuguesa:

  • Séries trimestrais para a economia portuguesa: 1977-2016;
  • Séries anuais do património dos particulares: 1980-2016.