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Comunicado do Banco de Portugal sobre o Boletim Económico de dezembro de 2019

O Banco de Portugal publica hoje o Boletim Económico de dezembro de 2019, que atualiza as projeções macroeconómicas para o período 2019-21 e divulga, pela primeira vez, projeções para 2022.

A economia portuguesa deverá registar uma trajetória de desaceleração no período 2019-22, evolução que corresponde a uma convergência para um ritmo de crescimento próximo do potencial. Projeta-se que, depois de ter aumentado 2,4% em 2018, o produto interno bruto (PIB) cresça 2% em 2019, 1,7% em 2020 e 1,6% em 2021 e 2022.

As atuais projeções para a evolução do PIB em 2019 são idênticas às divulgadas no Boletim Económico de outubro. Em relação a 2020, a projeção para o crescimento da atividade foi revista ligeiramente em alta face ao Boletim de junho, o que decorre de um maior crescimento do consumo privado e público. As projeções incorporam uma revisão em baixa do crescimento das exportações face ao Boletim de junho, associada à atualização das hipóteses para a procura externa dirigida a Portugal.

O enquadramento externo da economia portuguesa tornou-se menos favorável em 2019, perspetivando-se uma recuperação modesta do ritmo de crescimento do PIB e do comércio mundiais ao longo do restante horizonte de projeção. No entanto, existe incerteza em torno desta recuperação, em particular do comércio mundial. 

O crescimento da atividade económica em Portugal no horizonte de projeção será sustentado no dinamismo da procura interna e, em menor grau, das exportações. O contributo da procura interna para o crescimento será progressivamente menor, projetando-se uma desaceleração moderada do consumo privado – em linha com o rendimento disponível – e do investimento, que mantém, no entanto, um crescimento forte. 

As exportações deverão crescer em torno de 2,8% no período 2019-22. Este crescimento é inferior ao observado em média nos anos mais recentes, o que reflete uma procura externa mais fraca e ganhos de quota de mercado de magnitude inferior. 

A evolução da procura interna e externa tem como contrapartida um crescimento das importações superior ao das exportações, implicando um aumento do défice da balança de bens e serviços ao longo do horizonte de projeção. O saldo da balança corrente e de capital deverá manter-se excedentário em média no horizonte de projeção (em 0,5% do PIB, o que compara com 1,7% no período 2014-2018), para o que contribui a evolução favorável das balanças de rendimentos e de capital.

Ao longo do período em análise, o emprego deverá continuar a crescer mas a um ritmo progressivamente menor. A taxa de desemprego continuará a diminuir, situando-se em 5,6% em 2022, um nível historicamente baixo.

A inflação deverá diminuir em 2019, para 0,3%, e aumentar gradualmente ao longo do restante horizonte, atingindo 1,4% em 2022. As projeções para a inflação são revistas em baixa face às estimativas anteriores, em particular para 2019-20, refletindo a informação entretanto divulgada dos preços no consumidor e a revisão em baixa das hipóteses relativas ao preço do petróleo em euros.

Os principais fatores de risco para a atividade económica em Portugal decorrem, em grande medida, da possibilidade de um enquadramento internacional menos favorável, resultante, por exemplo, de um novo aumento das barreiras ao comércio internacional ou da transmissão da fraqueza recente da indústria a nível global aos restantes setores de atividade. A materialização destes riscos implicaria uma evolução da procura externa dirigida à economia portuguesa mais desfavorável do que a considerada nas projeções agora divulgadas e traduzir-se-ia num crescimento da atividade económica em Portugal inferior ao projetado. Os riscos para os preços são globalmente equilibrados, com o impacto positivo de uma subida de tarifas alfandegárias e de aumentos adicionais do salário mínimo em 2021-22 a ser compensado pelo efeito negativo de uma evolução mais desfavorável da atividade.

A desaceleração projetada do PIB ao longo do período 2019-22 é resultado de um processo de maturação do ciclo económico – observado igualmente nas outras economias avançadas – que se traduz numa aproximação dos níveis de crescimento ao ritmo de crescimento potencial da economia. Sobre este continuam a pesar constrangimentos estruturais, como uma evolução demográfica adversa e dimensões que condicionam o crescimento da produtividade por trabalhador. Estas condicionantes devem constituir os principais eixos de ação da política económica, merecendo destaque as medidas que promovam o aumento da produtividade. Num contexto de limitações ao aumento da oferta de trabalho, a produtividade torna-se o fator crucial de crescimento da economia portuguesa e da sua resiliência face aos desafios da próxima década, onde se incluem também a rápida transformação tecnológica em curso e a sustentabilidade ambiental. 

 

Esta edição do Boletim Económico inclui um Tema em Destaque – “Uma análise microeconómica do investimento das empresas portuguesas entre 2006 e 2017” – e duas caixas:

  • Caixa 1 | Desenvolvimentos recentes e perspetivas para o comércio mundial
  • Caixa 2 | Baixa inflação na área do euro: possíveis causas