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Comunicado do Banco de Portugal sobre o Boletim Económico de dezembro de 2017

O Banco de Portugal publica hoje o Boletim Económico de dezembro de 2017. O Boletim atualiza as projeções macroeconómicas para o período 2017-2019 e divulga, pela primeira vez, projeções para 2020.

 

Projeções para a economia portuguesa 2017-2020

A atividade económica em Portugal deverá continuar a expandir-se ao longo do horizonte de projeção, a um ritmo próximo do projetado para a área do euro. Estimam-se crescimentos do produto interno bruto (PIB) de 2,6% em 2017, de 2,3% em 2018, 1,9% em 2019 e 1,7% em 2020. Os valores para o horizonte 2017-2019 reveem em alta as projeções publicadas pelo Banco de Portugal nos Boletins Económicos de junho e outubro.

Com o ritmo de crescimento projetado, em 2020 o PIB deverá situar-se cerca de 4% acima do nível registado antes da crise financeira internacional. 

A expansão projetada para a economia portuguesa tem subjacente uma recomposição da procura global orientada para um crescimento mais sustentável, assente no dinamismo das exportações e do investimento e num enquadramento internacional favorável.

As projeções apontam para um crescimento robusto das exportações até 2020, refletindo aumentos da procura externa e ganhos de quota de mercado. Depois de um acréscimo de 7,7% em 2017, as exportações deverão aumentar 6,5% em 2018, 5,0% em 2019 e 4,1% em 2020. Prevê-se que as exportações de turismo mantenham um crescimento superior ao das exportações totais. 

A componente mais dinâmica da procura global deverá ser a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), refletindo em particular a evolução do investimento empresarial. Depois de um aumento de 8,3% em 2017, a FBCF deverá crescer 6% em 2018 e em 2019 e 5,4% em 2020. Não obstante, o nível da FBCF no final do horizonte deverá ser 11% inferior ao observado antes da crise financeira internacional.

O consumo privado deverá manter um crescimento inferior ao da atividade, com aumentos de cerca de 2,1% em 2017 e 2018, e em torno de 1,8% em 2019 e 2020. Esta evolução está em linha com a do rendimento disponível real e deverá traduzir-se numa taxa de poupança globalmente estável ao longo do horizonte de projeção.

Projeta-se uma recuperação do mercado de trabalho. Depois de uma subida de 3,1% em 2017, o emprego deverá continuar a crescer até 2020, ainda que a um ritmo inferior ao do PIB (1,6% em 2018, 1,3% em 2019 e 0,9% em 2020). A taxa de desemprego manterá uma trajetória descendente, atingindo 6,1% no final do horizonte de projeção.

A economia portuguesa deverá continuar a apresentar capacidade de financiamento, o que acontece desde 2012. Após uma ligeira redução em 2017, o saldo da balança corrente e de capital deverá aumentar em 2018 para 2,3% do PIB, fixando-se em 2,2% nos dois anos seguintes.

Estima-se ainda uma relativa estabilização da inflação ao longo do período da projeção. Os preços no consumidor deverão crescer 1,6% em 2017, 1,5% em 2018, 1,4% em 2019 e 1,6% em 2020.

A recuperação da atividade económica em Portugal tem sido caraterizada por uma reafectação crescente de recursos para o setor dos bens e serviços transacionáveis. Para que o crescimento da economia portuguesa seja sustentável, é essencial prosseguir a alocação do investimento a áreas que contribuam para o aumento do produto potencial, designadamente através do aumento de capital por trabalhador e de uma melhor reafectação de recursos. É também crucial persistir na redução do endividamento público e do endividamento privado, tirando partido do enquadramento macroeconómico favorável. O elevado peso do desemprego de longa duração e a redução da população ativa, que apenas será parcialmente revertida até 2020, também requerem uma abordagem integrada, fundamental para aumentar o nível de produtividade e de bem-estar económico no longo prazo.

Destaque: “Produto potencial: desafios e incertezas”

Esta edição do Boletim Económico inclui um tema em destaque – “Produto potencial: desafios e incertezas “ – e quatro caixas:

Caixa 1 | Hipóteses do exercício de projeção

Caixa 2 | O conteúdo importado da procura global em Portugal

Caixa 3 | Efeito de um aumento da taxa de juro no rendimento das famílias: heterogeneidade por classes de idade e quartis do rendimento

Caixa 4 | Impacto macroeconómico da crise na Catalunha