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Boletim Económico de Abril de 2014

  • A economia portuguesa continuou, em 2013, o processo de ajustamento dos desequilíbrios macroeconómicos acumulados ao longo das últimas décadas e evidenciou os primeiros sinais de recuperação da atividade económica.
     
  • Em 2013, a balança corrente e de capital registou um excedente de 2.6 por cento do PIB e o primeiro excedente da balança de bens e serviços em cerca de 70 anos. Esta evolução traduz, por um lado, um crescimento expressivo das exportações e, por outro, um crescimento moderado das importações, após anos de queda continuada.
     
  • O processo de consolidação orçamental prosseguiu em 2013. O défice orçamental registou um valor de 4.9 por cento do PIB, abaixo do objetivo inscrito no Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF). O esforço de consolidação resultou de um aumento da carga fiscal, em particular sobre as famílias, que mais do que compensou o impacto sobre a despesa da reposição dos subsídios de férias e de Natal. O rácio da dívida pública continuou a aumentar, atingindo 129 por cento no final de 2013.
     
  • A partir do segundo trimestre de 2013, a correção dos desequilíbrios macroeconómicos, num contexto de moeda única, foi acompanhada pela inversão da trajetória de queda do PIB, registada durante os 10 trimestres precedentes. Embora, em termos médios anuais, o PIB tenha caído 1.4 por cento no ano de 2013, registou-se uma marcada recuperação ao longo do ano.
     
  • O comportamento da economia portuguesa foi determinado por dois tipos de fatores: o contexto internacional e o enquadramento interno resultante da execução do PAEF e da envolvente institucional, cuja reforma está ainda num estado incipiente.
     
  • Relativamente ao contexto internacional, o comportamento da economia portuguesa em 2013 foi desfavoravelmente influenciado pela evolução da atividade nos principais parceiros comerciais, apesar dos sinais de recuperação que estes registaram ao longo do ano. Pelo contrário, a descida dos preços das matérias-primas, com destaque para o preço do petróleo, beneficiou o ajustamento da economia portuguesa.
     
  • Num contexto de baixas pressões inflacionistas, as decisões de política monetária do Banco Central Europeu poderiam ter sido um estímulo para a economia portuguesa. No entanto, a fragmentação financeira da área do euro continuou a prejudicar a transmissão do estímulo monetário ao setor não financeiro em Portugal. Para mitigar esta fragmentação, a construção da União Bancária é crucial.
     
  • O aumento da atividade económica desde o 2.º trimestre de 2013 tem sido suportado pela recuperação gradual da procura interna e pela manutenção de um crescimento robusto das exportações. O emprego registou um aumento em linha com a evolução da atividade, contribuindo para a redução da taxa de desemprego. A evolução do mercado de trabalho manteve alguns dos traços caraterísticos, nomeadamente o aumento da contratação a termo e da incidência do desemprego de longa duração.
     
  • A recuperação da economia portuguesa apresenta fragilidades. É imprescindível continuar a redução do nível de endividamento e aprofundar o programa de reformas estruturais, em particular para permitir a redução do desemprego. A sustentabilidade das finanças públicas, o aumento da autonomia financeira das empresas e a solidez e estabilidade do sistema financeiro constituem condições indispensáveis para um processo de afetação de recursos que favoreça o investimento dos setores de bens transacionáveis, condição necessária para o aumento do PIB per capita e do rendimento disponível das famílias. Só assim será possível assegurar a sustentabilidade do ajustamento e atenuar os seus custos.

Para além do artigo sobre a economia portuguesa em 2013, este Boletim Económico inclui as projeções para a economia portuguesa já divulgadas no sítio do Banco de Portugal no dia 26 de março de 2014. Como habitualmente, o Boletim Económico inclui quatro artigos assinados, elaborados em coautoria por economistas do Banco de Portugal:

  • “Mobilidade do rendimento das famílias na União Europeia e em Portugal: uma análise de eventos no mercado de trabalho e demográficos”, por Nuno Alves e Carlos Martins;
  • “As exportações portuguesas nas cadeias de valor globais”, por João Amador e Robert Stehrer;
  • “Capitalização e concessão de crédito: evidência dos Estados Unidos”, por Sudipto Karmakar;
  • “Indicadores avançados de crises bancárias: exploração de novos dados e instrumentos”, por António Antunes, Diana Bonfim, Nuno Monteiro e Paulo M. M. Rodrigues.

Lisboa, 23 de abril de 2014