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22-11-2005 - Ajustamento Sazonal de Séries Estatísticas da Balança de Pagamentos

Ajustamento sazonal de séries estatísticas da balança de pagamentos

O Banco de Portugal inicia nesta edição do Boletim Estatístico a publicação de um novo quadro, no âmbito das Estatísticas da Balança de Pagamentos, com informação sobre as principais componentes das Balanças Corrente e de Capital ajustadas de sazonalidade. Este quadro, com a designação “C.1.0.2 – Balanças Corrente e de Capital – Séries Ajustadas de Sazonalidade” (cfr. Anexo - ver documento associado), passa a integrar o Capítulo C.1 - “Balanças Corrente e de Capital” e será actualizado mensalmente.

Num conjunto significativo de rubricas da Balança de Pagamentos verifica-se que a respectiva evolução mensal é muito afectada por flutuações, mais ou menos regulares e periódicas, i.e., de carácter sazonal, que podem dificultar a percepção de outros movimentos de curto prazo e de tendência, condicionando a respectiva análise económica. Com o objectivo de melhorar a informação prestada e de facultar um instrumento de análise adicional aos utilizadores, o Banco de Portugal desenvolveu um estudo no sentido de escolher uma metodologia a aplicar na remoção dos efeitos sazonais das séries estatísticas, em particular, das Balanças Corrente e de Capital. A metodologia utilizada bem como os principais resultados obtidos são apresentados no Suplemento 4/2005 ao Boletim Estatístico.
 
A aplicação desta abordagem metodológica às séries estatísticas da Balança de Pagamentos, para o período compreendido entre Janeiro de 1996 e Agosto de 2005, confirmou a existência de sazonalidade em várias das rubricas analisadas, em particular da Balança Corrente. A Balança de Capital revelou a existência de uma sazonalidade pouco significativa e instável, optando-se por manter esta rubrica em termos dos seus valores originais.

A título ilustrativo da relevância deste novo instrumento analítico, apresenta-se no Gráfico abaixo o saldo da rubrica “Viagens e turismo” e a respectiva série ajustada de sazonalidade. 

Gráfico I - Saldo da rubrica “Viagens e turismo”

Tipicamente, a série original apresenta valores mais elevados nos meses de Julho e Agosto, quando comparados com os meses adjacentes. Todavia, esta evolução é, em larga escala, motivada por flutuações sazonais e, por conseguinte, não é muito informativa sobre o sentido do movimento da série. O ajustamento sazonal permite ter uma ideia mais precisa do comportamento tendencial da série. Adicionalmente, devido à amplitude das flutuações sazonais, a simples inspecção da série original dificilmente permite sinalizar a realização de eventos como a Expo 98 e o Euro 2004. No entanto, na série ajustada de sazonalidade é possível observar uma expansão nas exportações líquidas deste tipo de serviços nos períodos em que aqueles eventos ocorreram, alertando assim o analista para os efeitos específicos deles decorrentes.

No quadro seguinte evidenciam-se os principais resultados para 2005, comparando-se os dados originais com os dados ajustados de sazonalidade. De modo a atenuar a natural irregularidade associada à informação mensal, os valores para as diferentes rubricas consideradas são apresentados em termos do trimestre terminado em cada mês.


Quadro I - Balanças Corrente e de Capital de 2005 (Valores do trimestre terminado em cada mês)

Unidade: Milhões de euros

Como é natural, os dados ajustados de sazonalidade apresentam uma menor variabilidade que os dados originais. Ainda assim, saliente-se que o saldo conjunto das Balanças Corrente e de Capital, que reflecte as necessidades de financiamento externo da economia, ajustado de sazonalidade, tem oscilado em torno dos 3 mil milhões de euros em cada trimestre, revelando alguma estabilidade ao longo do período do ano para o qual existe já informação disponível. Pelo contrário, a série original revela um agravamento sensível do défice até Maio a que se seguiu uma progressiva melhoria até Agosto. Assim, em grande medida, esta evolução reflectirá flutuações de natureza sazonal. De Agosto para Setembro, em ambos os casos, verifica-se um pequeno agravamento do défice.

Lisboa, 22 de Novembro de 2005