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Agência do Banco de Portugal em Portimão

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Agência do Banco de Portugal em Portimão

Description details

Description level

Fonds   Fonds

Reference code

PT/BP/BP-PORTIMÃO

Production dates

1922-03-01  to  1977-08-12 

Dimension and support

; Papel

Biography or history

Em 1920, a Agência de Faro sugerira que, face ao desenvolvimento dos negócios em várias correspondências da sua área e ao congestionamento dos seus serviços, seria aconselhável a criação de Correspondências autónomas no Algarve, que melhor servissem as regiões e captassem lucros para o Banco, sendo apontadas as localidades de Portimão, Olhão e Vila Real de Santo António.

Nesta sequência, a Correspondência de Vila Nova de Portimão, como era então chamada foi criada a 1 de Março de 1922, tendo como Correspondente, Cândido Augusto da Costa Marrecas a que se juntou posteriormente, João Alves Ramos e João Baptista Gomes Júnior, escriturários.

Em Maio de 1932 o Conselho de Administração decidiu elevar a correspondência de Portimão a Agência, sob a direção de dois Agentes: o antigo correspondente José Mendes Tengarrinha Júnior e, José dos Ramos Correia.

A Agência estava inserida numa região cujas principais atividades eram a pesca, as indústrias de conservas e cortiça, o comércio exportador dos produtos regionais - figo, alfarroba e amêndoa, e a agricultura, meramente de subsistência.

Ligada à agência existia uma rede de correspondentes que a apoiavam. Competia-lhes recolher informações sobre clientes, proceder a operações de desconto previamente autorizadas, cobrar letras e proceder a transferências de numerário recebido para os cofres da Agência. Tinham que preencher e enviar mapas periódicos à Agência de que dependiam dando conta do movimento bancário. Abrangiam as localidades de Aljezur, Lagoa, Lagos, Monchique, Silves e Vila do Bispo.

As principais tarefas da agência eram o desconto de letras; efetuar operações cambiais; emprestar sobre penhores; realizar operações de transferência de fundos e, receber depósitos à ordem de particulares. Estava-lhe contudo vedado realizar operações com o Tesouro. Era submetida regularmente a visitas de inspeção estipuladas pela Sede, para conferência e verificação de saldos e dos valores existentes em Caixa. Devia igualmente, elaborar e enviar à Sede, o balanço anual com desenvolvimento dos saldos acompanhado de relatório.

A agência teve ao longo da sua existência alguns problemas, nomeadamente: dotações diminutas face à necessidade da clientela, concorrência de casas bancárias e bancos, a necessidade de moeda estrangeira na zona, destinada às transações com o exterior (exportações para fora do país) e, crise nas pescas em 1926 e 1931. Em 1936, com a Guerra civil espanhola e, em 1939 com o início da 2ª Guerra deu-se um aumento dos preços dos géneros, na região, mercê do esgotamento dos stocks. As difíceis importações de matérias-primas em ambiente de guerra, contribuíam para uma irregularidade nos negócios. A procura do crédito decresceu e, os lucros não eram aplicados em melhoramentos técnicos. Só nos anos 60, se assistiu a um desafogo económico com o aumento do turismo, nomeadamente, nos setores nele apoiados (hotelaria e restauração).

Em 1975, com a nacionalização da Banca, as Agências diminuíram quantitativamente todos os tipos de operações. O papel do Banco de Portugal como banco central assumiu-se marcadamente em detrimento do de banco comercial. Findaram as operações de desconto e a rede de correspondentes foi extinta no 2º semestre de 1976. Por comunicação do Conselho de Administração de 23 de Março de 1977 foram extintas as Agências concelhias. O mesmo Conselho decide, o encerramento definitivo da Agência a partir de 22 de Junho de 1977.

EDIFÍCIO

Os serviços da Agência ficaram instalados em parte de um edifício arrendado, situado na Rua José Libânio Gomes (antiga Rua dos Quartéis). Mais tarde, a 3 de Março de 1930, o Banco adquiriu o edifício na sua totalidade. Em 1969 o edifício sofreu obras de remodelação conforme projeto do arquiteto João José Gramunha Araújo.

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Nenhuma

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