Evolução económica e financeira na área do euro por sector institucional: Terceiro Trimestre de 2009
28 de Janeiro de 2010
No terceiro trimestre de 2009, a taxa de crescimento homóloga (1) do rendimento disponível líquido na área do euro foi de -3.2%, o que compara com -4.8% no segundo trimestre de 2009 (ver Quadro 1, em anexo). O consumo final na área do euro continuou a registar uma descida no terceiro trimestre (-0.2% em termos anuais, após -0.3% no trimestre anterior). A taxa de crescimento homóloga da formação bruta de capital fixo situou-se em -12.0% no terceiro trimestre de 2009, face a -13.5% no trimestre anterior. No terceiro trimestre de 2009, a taxa de crescimento homóloga da poupança líquida situou-se em -43.0%, face a -63.5% no segundo trimestre.A taxa de crescimento homóloga do rendimento corrigido disponível bruto das famílias diminuiu para 0.1% no terceiro trimestre de 2009, face a 0.6% no trimestre anterior (ver Quadro 2). A taxa de crescimento homóloga da despesa de consumo das famílias diminuiu para -1.9% no terceiro trimestre, o que compara com -1.8% no trimestre anterior. A taxa de crescimento homóloga da poupança bruta das famílias aumentou para 16.0% no terceiro trimestre (face a 11.8% no trimestre anterior). A taxa de poupança bruta das famílias (2) situou-se em 15.5%, face a 13.8% no terceiro trimestre de 2008. A taxa de crescimento homóloga do financiamento das famílias manteve-se praticamente inalterada em 1.7% no terceiro trimestre de 2009, face a 1.8% no trimestre anterior, e a taxa de crescimento homóloga do respectivo investimento financeiro era de 3.0% no terceiro trimestre de 2009, o que compara com 2.7% no trimestre anterior. O crescimento do património financeiro líquido das famílias passou a ser positivo no terceiro trimestre (4.5%), após ter registado um crescimento negativo no trimestre anterior (-2.8.%) (ver Gráfico 6).
A taxa de crescimento homóloga da formação bruta de capital fixo das sociedades não financeiras na área do euro aumentou para -13.7% no terceiro trimestre de 2009, face a -17.1% no trimestre anterior (ver Quadro 3). A taxa de crescimento homóloga do rendimento empresarial líquido das sociedades não financeiras aumentou para -7.8% no terceiro trimestre, o que compara com -15.9% no trimestre anterior. A taxa de crescimento homóloga do financiamento das sociedades não financeiras situou-se em 2.1% no terceiro trimestre, face ao anterior valor de 2.8%, e a taxa de crescimento homóloga do respectivo investimento financeiro era de 2.4% no terceiro trimestre de 2009, o que compara com o anterior valor de 2.9%.
Total da economia da área do euro
A taxa de crescimento homóloga do rendimento disponível líquido da área do euro aumentou para -3.2% no terceiro trimestre de 2009, o que compara com -4.8% no trimestre anterior. O crescimento negativo do rendimento disponível líquido ficou a dever-se a uma redução do rendimento disponível líquido das administrações públicas e das sociedades financeiras que não foi compensada por um aumento do rendimento disponível líquido das sociedades não financeiras (ver Gráfico 1). A redução do crescimento homólogo da formação bruta de capital fixo (-12.0%) face ao trimestre anterior (-13.5%) resultou quase na totalidade de um crescimento negativo do investimento das sociedades não financeiras e das famílias (ver Gráfico 2). A taxa de crescimento da formação bruta de capital (3) aumentou para -15.7% no terceiro trimestre, o que compara com -18.7% no trimestre anterior. Este crescimento negativo do investimento coincidiu com o movimento da taxa de crescimento homóloga da poupança líquida da área do euro para -43.0%, face a -63.5% no trimestre anterior, dado que as reduções da poupança líquida das administrações públicas continuaram a ultrapassar os aumentos da poupança das famílias (ver Gráfico 3)
Famílias
O rendimento disponível bruto corrigido (4) das famílias aumentou 0.1% no terceiro trimestre de 2009, o que compara com um aumento de 0.6% no trimestre anterior. Tal ficou a dever-se principalmente a um aumento dos recebimentos das famílias de prestações e contribuições sociais líquidas que compensaram a redução das remunerações dos empregados, rendimentos de propriedade recebidos e a remuneração do rendimento de exploração e misto (ver Gráfico 4).
A taxa de crescimento homóloga da despesa de consumo das famílias (-1.9%) foi inferior à do respectivo rendimento disponível, o que propiciou a continuação de um crescimento da poupança das famílias, de 16.0% (face ao anterior valor de 11.8%). A taxa de variação homóloga da formação bruta de capital fixo das famílias aumentou para -14.0% no terceiro trimestre, face a -15.1% no segundo trimestre. A taxa média móvel de poupança bruta de quatro trimestres das famílias aumentou para 15.5% (face a 13.8% no terceiro trimestre de 2008). A taxa de crescimento homóloga da capacidade líquida de financiamento do sector das famílias (5) aumentou para 3.7% no terceiro trimestre de 2009, face a 3.3% no trimestre anterior.
A taxa de crescimento homóloga do financiamento das famílias através do endividamento situou-se em 1.7% no terceiro trimestre de 2009, mantendo-se praticamente inalterada face a 1.8% no segundo trimestre. Tal coincidiu com um aumento da taxa de crescimento homólogo do respectivo investimento não financeiro bruto de -15.0%, face ao anterior valor de -15.8% (ver Gráfico 5), enquanto o respectivo investimento financeiro aumentou 3.0%, face a 2.7% no trimestre anterior.
Quanto às componentes do investimento financeiro das famílias, a taxa de crescimento homóloga do investimento em numerário e depósitos diminuiu para 5.3% no terceiro trimestre de 2009, face a 5.9% no trimestre anterior. O nível do investimento em títulos de crédito aumentou para 0.2% no terceiro trimestre, o que compara com 0.0% no trimestre anterior. A taxa de crescimento do investimento das famílias em acções e outras participações aumentou para 0.1% no terceiro trimestre, face ao anterior valor de -1.3%. A taxa de crescimento homóloga do acréscimo nas provisões de seguros de vida e fundos de pensões aumentou para 3.9% no terceiro trimestre, o que compara com o anterior valor de 3.6%.
A evolução das contas de património financeiro das famílias foi dominada por variações na valorização dos respectivos activos financeiros. O crescimento do património financeiro líquido das famílias passou a ser positivo no terceiro trimestre de 2009 (4.5% em termos anuais), após ter registado um crescimento negativo no trimestre anterior (-2.8.% em termos anuais) (ver Gráfico 6). A taxa de crescimento do valor de mercado de acções e outras participações detidas por famílias situou-se em -0.3% no terceiro trimestre de 2009, o que compara com o anterior valor de -14.8% (ver Quadro 2).
Sociedades não financeiras
A taxa de crescimento homóloga do rendimento empresarial líquido das sociedades não financeiras (6) situou-se em -7.8% no terceiro trimestre de 2009, após -15.9% no trimestre anterior (ver Quadro 3). Esta melhoria reflecte, em grande medida, uma nova redução dos custos das sociedades não-financeiras no que se refere a juros e rendas a pagar (ver Gráfico 7 e Quadro 3). A diminuição da formação bruta de capital fixo das sociedades não financeiras tornou-se menos pronunciada (o crescimento situou-se em -13.7%, em termos anuais, no terceiro trimestre de 2009, face a -17.1% no trimestre anterior) (ver Gráfico 8). A taxa de crescimento homóloga do investimento bruto não financeiro total situou-se em -20.1%, o que compara com -26.6% no trimestre anterior, o que reflecte igualmente diminuições das existências. O investimento não financeiro líquido das sociedades não financeiras diminuiu no terceiro trimestre, tendo sido largamento compensado por uma diminuição da necessidade líquida de financiamento.
No terceiro trimestre de 2009, a taxa de crescimento homóloga do financiamento por parte de sociedades não financeiras diminuiu para 2.1%, face ao anterior valor de 2.8%. A taxa de crescimento do financiamento através de empréstimos ascendeu a 1.6%, o que compara com o anterior valor de 4.1%. A taxa de crescimento homóloga da emissão de títulos de crédito aumentou para 11.9%, face a 11.2%. A taxa de crescimento homóloga do financiamento através da emissão de acções cotadas e não cotadas e outras participações aumentou para 2.6% face a 2.3% no trimestre anterior.
O crescimento do investimento financeiro das sociedades não financeiras registou uma moderação, para 2.4%, após 2.9% no trimestre anterior, enquanto a taxa de crescimento homóloga do investimento em títulos de crédito diminuiu para 28.5% (face ao valor anterior de -22.1%) e a taxa de crescimento homóloga do investimento em numerário e depósitos aumentou para 3.3%, face ao anterior valor de 2.3%. A taxa de crescimento dos empréstimos concedidos diminuiu para 6.1% no terceiro trimestre de 2009, em comparação com o anterior valor de 8.6%. A taxa de crescimento do investimento em acções e outras participações diminuiu ligeiramente, para 4.9%, face a 5.0% no segundo trimestre.
A diminuição dos saldos de activos e passivos das contas de património financeiro das sociedades não financeiras abrandou no terceiro trimestre de 2009 devido a um aumento moderado do valor de mercado de acções e outras participações (detidas e emitidas). O saldo dos activos e passivos financeiros aumentou no terceiro trimestre (1.2% e 1.7%, respectivamente), enquanto as taxas de crescimento homólogas do trimestre anterior registaram uma evolução negativa (-4.6% e -5.3%, respectivamente) (ver Quadro 3).
Sociedades de seguros e fundos de pensões
A taxa de crescimento homóloga das provisões técnicas de seguros, ou seja, o principal instrumento de financiamento das sociedades de seguros e fundos de pensões, aumentou ligeiramente para 3.6% no terceiro trimestre de 2009, face a 3.4% no segundo trimestre (ver Quadro 6). A taxa de crescimento homóloga da emissão de acções e outras participações aumentou 1.0%, face a um acréscimo de 0.5% anteriormente. A taxa de crescimento homóloga do respectivo investimento financeiro aumentou para 3.6%, face a 3.1% no trimestre anterior. A taxa de crescimento do investimento em títulos de crédito aumentou para 2.8%, o que compara com o anterior valor de 2.5%, e a do investimento em acções e outras participações aumentou para 5.2%, face ao anterior valor de 3.6%.Os saldos de activos e passivos das contas de património financeiro das sociedades de seguros e fundos de pensões registaram um aumento, uma vez que o valor de mercado de acções e outras participações detidas e emitidas aumentou 2.1 %, após uma diminuição no período anterior (-9.2 %).
Notas
- A taxa de crescimento homóloga das operações não financeiras e dos saldos de activos e passivos financeiros (stocks) é calculada como a variação em percentagem entre o valor das operações ou saldos para um determinado trimestre e o valor registado quatro trimestres antes. Pressupondo que xt representa o nível de uma operação não financeira ou stocks em fim de trimestre, a sua variação homóloga em percentagem g(xt) é calculada como:

- A taxa de crescimento homóloga utilizada para analisar as operações financeiras refere-se ao valor total das operações durante o ano em relação aos saldos de stocks um ano antes. Estas taxas de crescimento para as operações financeiras excluem o efeito sobre os saldos de stocks de reavaliações, reclassificações e outras variações que não sejam devidas a transacções. Pressupondo que ft representa o valor das operações num instrumento financeiro em particular, e que Ftrepresenta o valor dos correspondentes saldos de stocks no final do trimestre t, então a taxa de crescimento homóloga g(ft) é calculada como o somatório das operações durante o ano dividido pelo saldo dos stocks um ano antes:

- As contas da área do euro englobam as contas financeiras e não financeiras integradas, incluindo contas de património financeiro, e são coligidas em conjunto pelo BCE e pela Comissão Europeia (Eurostat), em estreita cooperação com os bancos centrais nacionais e os institutos nacionais de estatística da UE(7). As contas europeias por sector estão em conformidade com a metodologia do Sistema Europeu de Contas 1995 (SEC 95) (8). Os Quadros 3.1 a 3.5 “Contas da área do euro”, da secção estatística do Boletim Mensal do BCE, apresentam um conjunto pormenorizado de dados trimestrais.
- O presente comunicado inclui revisões dos dados para o segundo trimestre de 2009 e para trimestres anteriores. As revisões dos saldos devem-se sobretudo a uma alteração no tratamento de operações financeiras e stocks entre instituições financeiras monetárias. No passado, estas operações financeiras e stocks eram compensados, passando a ser apresentados numa base bruta a partir do presente comunicado.
- Encontra-se igualmente disponível em http://www.ecb.eu/stats/acc/html/index.en.html (BCE) um conjunto completo de quadros. As séries temporais das contas da área do euro podem ser descarregadas através da “Statistical Data Warehouse” do BCE.
- Os agregados da área do euro divulgados no presente comunicado incluem dados referentes à Eslováquia, incluindo os períodos de referência anteriores à sua adopção do euro.
- Prevê-se que a publicação da evolução económica e financeira na área do euro referente ao quarto trimestre de 2009 ocorra às 10:00H (hora do BCE), em 30 de Abril de 2010.
(1) As contas da área do euro são expressas em preços correntes, não sendo corrigidas de sazonalidade. As taxas de crescimento (nominais) são apresentadas como variações homólogas (ver notas).
(2) A taxa de poupança das famílias baseia-se em somas acumuladas de quatro trimestres quer da poupança, quer do respectivo rendimento disponível bruto.
(3) Incluindo variações de existências e aquisições líquidas de activos não financeiros não produzidos.
(4) Corrigido da variação dos activos líquidos das famílias em provisões de fundos de pensões (créditos - débitos).
(5) Para os sectores das famílias e das sociedades não financeiras, os valores para a capacidade/necessidade líquida de financiamento calculados com base nas contas não financeiras podem diferir ligeiramente dos valores calculados com base nas contas financeiras, devido a discrepâncias estatísticas restantes.
(6) O rendimento empresarial líquido é praticamente equivalente a lucro corrente na contabilidade comercial (após o recebimento e pagamento de juros e incluindo os lucros de filiais no estrangeiro, mas antes do pagamento do imposto sobre o rendimento e dos dividendos).
(7) As contas não financeiras da UE encontram-se disponíveis em http://ec.europa.eu/eurostat/sectoraccounts (Eurostat).
(8) Para mais pormenores, ver http://forum.europa.eu.int/irc/dsis/nfaccount/info/data/esa95/en/titelen.htm.Banco Central Europeu
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