Selo do Banco de Portugal
Em 1846, o Banco de Portugal adoptou, com ligeiras alterações, o selo branco que Domingos António Sequeira, artista-gravador nascido em 1768, havia criado anos antes para o Banco de Lisboa. O desenho de Sequeira insere-se na grande temática das alegorias predominantes numa fase da sua obra.
Inscrita num espaço oval, muito ao gosto barroco, pode ver-se uma deusa feminina, ligeiramente estilizada, com formas severas, longas roupagens e sandálias à forma grega e um diadema em forma de nau. O seu braço esquerdo apoia-se num escudo. Neste se insere a legenda do Decreto real que criou o Banco de Portugal. Junto ao escudo encontra-se um saco de moedas em forma de cornucópia, que simboliza a riqueza fiduciária, construído com recurso a belos efeitos da cordoaria decorativa do estilo manuelino. A seus pés, é ainda possível detectar uma âncora, decerto alusiva aos feitos marítimos dos portugueses.
A figura alegórica segura no braço esquerdo um ceptro (caduceu), ornado com duas serpentes, que representam a saúde e a cura financeira, e uma águia, no topo, que simboliza o poder real. O braço direito, num gesto progressista, estende-se sobre o horizonte, apontando o futuro.
À sua esquerda, é visível um grande espaço marítimo, onde navega um navio setecentista, que simboliza, uma vez mais, toda a epopeia dos Descobrimentos e o comércio. Ocupando o espaço central, o Sol, com raios estilizados, reflecte-se no mar e na terra, sobreposto pela legenda "Banco de Portugal".